Juiz de Mato Grosso privilegia Nilton Servo, preso na Operação Xeque-Mate da PF sob a acusação de liderar quadrilha de jogo. Empresário foi transferido do presídio federal, onde teve a cabeça raspada. Apesar de não ter curso superior, o ex-deputado paranaense Nilton Cezar Servo conseguiu ontem autorização da Justiça para ser transferido do Presídio Federal de Campo Grande para o setor de custódia da Superintendência da Polícia Federal no Mato Grosso do Sul. Servo está preso desde a deflagração da Operação Xeque-Mate, no último dia 4, e é acusado de chefiar uma quadrilha exploradora de máquinas caça-níqueis em quatro estados. Durante a investigação, a PF descobriu ligações dele com Genival Inácio da Silva, o Vavá, e Dario Morelli Filho, respectivamente irmão mais velho e compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Servo chegou à Superintendência da PF pela manhã com a cabeça raspada – medida impingida a todos os condenados que cumprem pena no presídio federal. Como ele ainda não está sendo sequer processado — o Ministério Público prometeu denunciá-lo à Justiça amanhã —, o advogado Elder Rodrigues reclamou de violação aos direitos individuais de seu cliente. “Raspar a cabeça dele é quase uma agressão física. Ele não foi condenado, não está cumprindo pena. Está sendo investigado, não é nem réu ainda”, exclamou.
Como o presídio federal mantém um regime disciplinar diferenciado permanente entre os presos, o juiz Dalton Conrado, da 5ª. Vara Federal do Mato Grosso do Sul, acatou o argumento do advogado, de que manter Servo lá é um exagero. Daí tê-lo mandado à superintendência.
No dia da operação propriamente dita, a PF conseguiu mandados de prisão contra 85 pessoas. O delegado Alexandre Custódio, responsável pelo inquérito, pediu a prisão até mesmo de Vavá, mas o juiz negou. Na primeira leva, Dario Morelli Filho foi parar atrás das grades junto com Servo e com os líderes de outras quatro quadrilhas concorrentes.
Lotação esgotada
A maior parte dos envolvidos ficou lá 10 dias, tempo regulamentar da prisão temporária. Mas, como era gente demais, não havia espaço na carceragem da PF. Por isso, foram todos despachados para o presídio. Esgotado o prazo legal das prisões, no entanto, dos 80 que estavam sob custódia federal, apenas sete tiveram as prisões preventivas decretadas. Os demais, Dario Morelli Filho entre eles, foram libertados. E a cadeia da superintendência ficou em condições de receber os poucos acusados ainda presos.
Continuam foragidos os empresários Raimondo Romano e Gandi Jamil Georges. O primeiro é dono da Paradise Diversões Eletrônicas, empresa paulista que fornece máquinas caça-níquel no Brasil inteiro. O outro, líder de uma das quadrilhas, segundo a PF, é irmão caçula de Fuad Jamil Georges, o Turco, criminoso condenado por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, que controla há anos a jogatina em toda a região entre Campo Grande e Pedro Juan Caballero, na fronteira brasileira com o Paraguai.