Além do patrimônio do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura, a Justiça autorizou também o bloqueio de bens de alguns de seus familiares a pedido do Ministério Público do Distrito Federal. Por essa razão, desde o dia 15, quando estourou a Operação Aquarela, filhos de Tarcísio não podem movimentar suas contas bancárias nem dispor de bens em seus nomes. A defesa de Tarcísio, acusado de ser um dos principais beneficiários do esquema de lavagem de dinheiro supostamente desviado do BRB, informou que vai recorrer hoje da decisão.
O Ministério Público estendeu o pedido de bloqueio aos bens de filhos de Tarcísio porque suspeita de que ele tenha transferido a familiares parte do patrimônio pessoal. A apuração teria apontado indícios de que imóveis foram adquiridos com recursos desviados do BRB. Responsáveis pela investigação sustentam que a medida é preventiva, para garantir o ressarcimento dos possíveis prejuízos aos cofres públicos. A liberação dos bens será pedida pelo MP à medida que ficar comprovada a origem dos recursos usados para compra. O bloqueio não atinge todos os seis filhos de Tarcísio.
O advogado do ex-presidente do BRB, Bruno Rodrigues, considerou exagerada e “injusta” a decisão de bloquear os bens da família. “Eles bloquearam contas de parentes que não têm qualquer envolvimento com os fatos e inclusive com o trabalho do meu cliente”, disse. Uma filha de Tarcísio percebeu que sua conta pessoal estava bloqueada quando tentou sacar dinheiro neste fim de semana. Rodrigues argumentou que a Justiça não precisava bloquear, por exemplo, o salário de Tarcísio. “Até porque ele precisa pagar contas que vencem nos próximos dias e está tudo bloqueado”, reclamou.
Apreensões
Durante a Operação Aquarela, a polícia e o MP apreenderam na casa de Tarcísio documentos, dólares, euros e 101 relógios de marcas como Rolex e Ômega, com estimativa de custo de até R$ 60 mil. A defesa desmente a informação e alega que a maior parte desses relógios é composta por réplicas, que teriam custado entre R$ 40 e R$ 50. Depois que foi liberado da carceragem do Departamento de Polícia Especializada, da Polícia Civil, o ex-presidente do BRB passou o final da noite de sábado e o dia de ontem em seu apartamento no Sudoeste, reunido com a família. “Ele quer ficar quieto e dentro da casa dele com filhos e netos”, disse o advogado Bruno Rodrigues.
Na noite de sexta-feira, o ex-presidente do BRB chorou durante boa parte da acareação promovida pelo Ministério Público e a Polícia Civil do Distrito Federal com Noelma Ribeiro Xavier, funcionária de uma casa de câmbio. Ela afirmou ter entregue a Tarcísio dinheiro vivo, sacado com cartões corporativos emitidos pela organização não-governamental Caminhar. Na primeira oitiva, realizada no dia da Operação Aquarela, Noelma disse que entregou R$ 1 milhão a Tarcísio. No dia seguinte, ela mudou a versão e afirmou que os repasses somam R$ 4 milhões.
Defesa
Assim como o ex-presidente do BRB, outros investigados na Operação Aquarela soltos no começo da noite de sábado evitaram sair de casa e passaram o dia de ontem com familiares. Abatido, o empresário e secretário-geral da Associação Nacional dos Bancos (Asbace), Juarez Lopes Cançado, ficou em casa com parentes e no final da tarde recebeu a visita do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro para preparar as estratégias de sua defesa. Advogados dos suspeitos também informaram que entrarão hoje com um pedido coletivo ao juiz responsável pelo caso para ter acesso aos autos do inquérito . Eles reclamam que até hoje não sabem exatamente do que seus clientes são acusados. “Caso não seja autorizado (o acesso aos autos), estamos estudando uma medida judicial”, afirmou Cleider Fernandes, que defende Nilson Lacerda Wanderlei, funcionário licenciado do Banco do Brasil.