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Relatório da PF acusa irmão de Renan de receber R$ 400 mil de Zuleido

Relatório da PF acusa irmão de Renan de receber R$ 400 mil de Zuleido

Relatório reservado da Polícia Federal acusa o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), de ter recebido R$ 400 mil em propina de Zuleido Veras, dono da empreiteira Gautama acusado de chefiar um esquema de desvios de dinheiro público. Em outros dois relatórios relacionadas a supostas fraudes da Gautama, a PF sustenta ainda que banca da propina de Zuleido desembolsou mais R$ 320 mil aos deputados Paulo Magalhães (DEM-BA) e R$ 120 mil Maurício Quintella (PR-AL).

Relatório reservado da Polícia Federal acusa o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), irmão do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), de ter recebido R$ 400 mil em propina de Zuleido Veras, dono da empreiteira Gautama acusado de chefiar um esquema de desvios de dinheiro público. Em outros dois relatórios relacionadas a supostas fraudes da Gautama, a PF sustenta ainda que banca da propina de Zuleido desembolsou mais R$ 320 mil aos deputados Paulo Magalhães (DEM-BA) e R$ 120 mil Maurício Quintella (PR-AL).

Cópias do relatório foram enviadas ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, desde semana passada. Segundo as investigações da polícia, Olavo Calheiros e Maurício Quintella apresentaram emendas ao orçamento de interesse da Gautama. Paulo Magalhães é acusado de pressionar ministros do Tribunal de Contas da União para em favor de Zuleido.

As acusações podem respingar nos ministros Guilherme Palmeira e Augusto Nardes. Pelo relatório da PF, por sugestão de Palmeira, Nardes pediu vistas de um processo sobre supostas fraudes da Gautama, conforme queria Zuleido.

Os documentos foram encaminhados inicialmente às subprocuradoras Lindôra Araújo e Célia Regina Delgado e, em seguida, a Antônio Fernando. O procurador-geral abriu uma investigação preliminar. A partir daí, decidirá se pede ou não Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito contra os três parlamentares. Os relatórios da Divisão de Contra-Inteligência da Polícia Federal foram produzidos a partir de documentos apreendidos nos escritórios da Gautama, na primeira etapa da Operação Navalha.

A PF acusou Olavo, Magalhães e Quintella de terem recebido propina de Zuleido a partir de uma análise do material apreendido nos escritórios da Gautama e de escutas telefônicas, obtidas com autorização judicial, na fase preliminar da Navalha. Um dos relatórios indica que Olavo Calheiros recebeu R$ 400 mil em duas parcelas de R$ 200 mil. As referências aos pagamentos estariam numa agenda de anotações de Gil Jacó de Carvalho Santos, gerente financeiro da Gautama em Salvador.

Numa das páginas da agenda, com data de 30 de junho do ano passado, o diminutivo ‘Ola‘ aparece associado ao valor 200. Numa outra página, com data de 1º de julho do ano passado, o diminutivo ‘Olavinho‘ está vinculado a cifra 200. Com base nas escutas telefônicas de Zuleido e outros investigados pela Navalha, a PF concluiu que os números seriam referência ao pagamento de R$ 400 mil a Olavo.

Entre as conversas transcritas pela PF, está um diálogo entre Zuleido e Everaldo, antigo funcionário do gabinete de Renan Calheiros. No diálogo, registrado em 30 de junho de 2006, data da primeira anotação dos R$ 200 mil na agenda de Gil Jacó, Zuleido reclama a Everaldo da pressão que Olavo estaria fazendo. Três dias depois, Fátima Palmeira, uma das principais funcionárias da Gautama, diz a Zuleido que Olavinho ‘agoniado‘.

Para a polícia, Zuleido fez os pagamentos em troca de duas emendas, no valor total de R$ 40 milhões, que Olavo Calheiros apresentou ao Orçamento da União. As duas emendas, assinadas por Olavo, destinavam os recursos para obras do sistema de abastecimento de água potável em municípios de Alagoas. As obras estavam a cargo da Gautama.

Outro relatório, também extraído da Operação Navalha, diz que o deputado Paulo Magalhães recebeu R$ 320 mil de Zuleido em quatro parcelas de R$ 50 mil, uma de R$ 100 mil e outra de R$ 20 mil. Pelas investigações da PF, os pagamentos estão registrados na agenda de Gil Jacó. Magalhães seria tratado no documento como ‘P.MAG‘ e ‘P.MA‘.

Segundo a polícia, Magalhães foi escalado por Zuleido para fazer pressão sobre ministros do TCU. O empreiteiro queria que um dos ministros pedisse vistas e, com isso adiasse o julgamento de um processo sobre supostas fraudes da Gautama em obras de recuperação de sistemas de produção de óleo e gás natural no Nordeste. O alvo inicial do pedido seria o ministro Ubiratan Aguiar. Mas, como a manobra não teria surtido efeito, o grupo recorreu a Guilherme Palmeira.

Dias depois, por sugestão de Palmeira, o ministro Augusto Nardes pediu vistas do processo, como queria Zuleido. Nardes só teria devolvido o processo a Ubiratan em 23 de maio deste ano, seis dias depois da deflagração da Operação Navalha.

No relatório, a PF sustenta que, pelo menos a parcela de R$ 20 mil, teria sido paga no gabinete de Paulo Magalhães, em 4 de maio, duas semanas antes de Zuleido e outros 45 acusados terem sido presos por supostas fraudes em obras públicas. Num terceiro relatório, a PF sustenta que Zuleido pagou R$ 120 mil a Maurício Quintella. Teriam sido três parcelas de R$ 40 mil entre 24 de abril de 2004 e 26 de setembro do ano passado. Em troca, Quintella teria apresentado uma emenda de R$ 10 milhões para obras de drenagem executadas pela Gautama em Alagoas.

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