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Operação Aquarela flagra Senador em escutas telefônicas suspeitas

Operação Aquarela flagra Senador em escutas telefônicas suspeitas

A Operação Aquarela, da Polícia Civil do Distrito Federal, pegou em cheio o senador Joaquim Roriz (foto) (PMDB-DF), flagrado em escutas telefônicas com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura (1999 a abril deste ano). Moura está preso desde a semana passada, sob suspeita de comandar um esquema de desvio de dinheiro de cartões de crédito que chega a R$ 50 milhões. Na operação, foram detidos 19 acusados em Brasília e São Paulo.

A Operação Aquarela, da Polícia Civil do Distrito Federal, pegou em cheio o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), flagrado em escutas telefônicas com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklin de Moura (1999 a abril deste ano). Moura está preso desde a semana passada, sob suspeita de comandar um esquema de desvio de dinheiro de cartões de crédito que chega a R$ 50 milhões. Na operação, foram detidos 19 acusados em Brasília e São Paulo.

As gravações, todas feitas em 13 de março, capturaram diálogos reveladores entre Roriz e ele. Numa das conversas, Moura liga para o gabinete do senador do PMDB do Distrito Federal. Conforme a gravação, exibida pela revista ‘Época‘, o ex-presidente do BRB diz: ‘Eu poderia falar com o senador? É Tarcísio.‘ Alguém responde: ‘Só um minutinho, por gentileza.‘ Moura: ‘Alô, oi senador. Posso sugerir um negócio?‘. Roriz: ‘Pode.‘ Moura: ‘Por que a gente não leva lá para o escritório do Nenê?‘ Roriz: ‘É pra isso mesmo.‘ Moura: ‘De lá, sai cada um com o seu.‘ Roriz: ‘Ah, então tá ótimo. Nós pensamos a mesma coisa.‘

Em outra, o ex-presidente da instituição financeira diz para um homem não identificado que combina com o senador do PMDB de se encontrar ‘no escritório do Nenê Constantino‘ (presidente do Conselho de Administração da Gol e dono de empresas de ônibus da capital federal). Moura também menciona que o que eles têm de pegar não cabe num carro. No mesmo dia, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, revela uma movimentação referente a um cheque em nome de uma empresa agrícola supostamente para Nenê Constantino. Há um saque no BRB de R$ 2,231 milhões, coberto por um cheque em nome de uma empresa do ramo agropecuário, que seria nominal a ele.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Nenê Constantino informou que ele nunca teve conta na instituição nem jamais entregou um cheque de R$ 2 milhões a Roriz. O senador não respondeu à reportagem da Agência Estado.

De acordo com a revista, a assessoria de Roriz informou que ele estava ‘apertado‘ e pediu um empréstimo de R$ 300 mil a Nenê Constantino para comprar parte de uma bezerra nelore da Universidade de Marília (Unimar), no interior de São Paulo. A assessoria de Constantino confirmou a versão. Disse que o empréstimo está documentado com notas promissórias e um contrato.

Todas as apurações foram remetidas à Procuradoria-Geral da República para eventuais investigações contra Roriz, que, por ser senador, tem foro privilegiado.

As gravações registram a conversa do senador com Moura foram gravados em março, com autorização judicial, quando o primeiro assumira o cargo no Senado. Mas as escutas começaram muito antes. Não são, porém, a única peça a incriminar Roriz. Também foi apreendida uma carta do publicitário Maurício Cavalcanti, endereçada ao então governador Roriz, em que ameaça contar tudo o que sabe sobre irregularidades no Governo do Distrito Federal.

Cavalcanti é o dono da Agência Gimenez, que na gestão de Moura tinha a conta publicitária do BRB, considerada o grande filão do setor. O que a carta indica é que muitas outras operações irregulares foram feitas por intermédio dessa agência. A carta descobre o véu de irregularidades cometidas no Governo Roriz. Segundo a reportagem apurou, enquanto Roriz acreditava que elegeria sucessora a então vice-governadora Maria de Lourdes Abadia (PSDB), ele levou Cavalcanti a comprar parte na sociedade do jornal ‘Tribuna do Brasil‘, folha popular fundada pelo ex-senador Mário Calixto (PMDB-RO).

Depois que Calixto vendeu o título, o grupo que adquiriu o jornal ficou sem fôlego para levá-lo adiante. Roriz pretendia dar mais oxigênio ao jornal, com publicidade oficial. Deu essa garantia a Cavalcanti. Como o compromisso da gestão Roriz com o publicitário em algum momento deixou de ser cumprido, este passou a cobrá-lo, insistentemente, até produzir a carta em que ameaça contar tudo o que sabe.

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