Apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Distrito Federal como um dos principais operadores do suposto esquema de lavagem de dinheiro desviado do Banco de Brasília (BRB), o major da Aeronáutica Fabrício Ribeiro dos Santos (foto)movimentou R$ 2,8 milhões em suas contas bancárias apenas no ano passado, segundo aponta relatório da Secretaria da Receita Federal. Nesse período, ele estava cedido pela Aeronáutica ao Executivo local, onde trabalhava na assessoria especial do Governo do Distrito Federal.
Segundo investigação da Operação Aquarela, Fabrício movimentou num único mês — julho de 2006 — R$ 1,06 milhão no BRB. Ele é citado pelo Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) como o verdadeiro dono da organização não-governamental Caminhar, que emitia cartões corporativos do Banco do Brasil e os abastecia com recursos supostamente desviados de contratos firmados entre o BRB e a Associação Nacional dos Bancos (Asbace). Na investigação, o MP descobriu, por exemplo, que um cheque emitido pela Asbace, no valor de R$ 3,7 milhões, no dia 23 de março deste ano, nominal à ATP Tecnologia e Produtos — empresa relacionada à associação — foi parar na conta da Caminhar.
Cartões da Caminhar foram encontrados com o secretário-geral da Asbace, Juarez Cançado, e também teria beneficiado o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklim de Moura, ambos presos durante a Operação Aquarela. Centenas de cartões eram abastecidos com até R$ 50 mil cada e sacados na boca do caixa em agências do Banco do Brasil. Fabrício é apontado ainda como sócio da empresa FLS Tecnologia LTDA, nome fantasia da “Aton”, também relacionada como beneficiária de recursos provenientes do BRB.
Área social
Segundo integrantes do governo anterior, o então governador Joaquim Roriz (PMDB) não tinha nenhum contato com Fabrício. Mas seria aliado de um assessor especial de Roriz, o conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do DF (TCDF) Maurílio Silva. Durante depoimento prestado na Divisão de Combate ao Crime Organizado (DECO), Fabrício disse que tratava de assuntos na área social durante o período que esteve no governo Roriz. No início do ano, já na gestão de José Roberto Arruda (DEM), o major retornou à Aeronáutica.
No dia 14 de junho, Fabrício foi preso. Ao cumprirem mandado de busca e apreensão, autorizado pela Justiça, promotores e policiais encontraram na casa do militar cartões de visitas com seu nome e a identificação como assessor especial de Roriz. Em seu depoimento, Fabrício negou participação no esquema e atribuiu toda a responsabilidade ao controlador legal da Caminhar, André Luis Silva. Ele é sócio da mulher de Fabrício, Elizabeth Helena Dias Oliveira dos Santos. Conversas interceptadas pela Polícia e pelo Ministério Público, no entanto, mostram que o major interferia diretamente nas ações da entidade.
Maurílio Silva é um antigo colaborador de Roriz. Foi secretário de governo e deputado distrital. Chegou ao Tribunal de Contas do DF por indicação do governador há 10 anos. Ele se aposentou em 2001, abrindo vaga para a nomeação do conselheiro Renato Rainha. No material apreendido, o MP encontrou documentos de Fabrício relacionados a Maurílio Silva. O ex-conselheiro não foi localizado ontem, tampouco o major Fabrício. O militar teve os sigilos bancário, fiscal, telefônicos e telemáticos quebrados pela Justiça e também está com os bens bloqueados.