Crise no Senado. Depois de tantas idas e vindas, o Conselho de Ética da Casa ganhou um novo presidente, o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Escolhido na noite de quarta-feira, Quintanilha convidou para ser relator do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, que também é do PMDB, o senador Renato Casagrande (PSB-ES).
Casagrande sinalizou que aceitaria ser relator. Quando tudo parecia resolvido, o presidente do Conselho de Ética agora diz que o caso Renan continua sem relator.
Em entrevista ao UOL News, Casagrande disse que antes não acreditava, mas que agora acredita que Renan Calheiros esteja interferindo no Conselho de Ética, mais de um mês depois de emergirem as denúncias contra ele (Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior).
“Consultei as pessoas que precisava e tomei a decisão de assumir a relatoria do processo. Mas hoje, durante todo o dia, não consegui falar com o presidente Quintanilha. Às 5 da tarde ele me informou que tinha tomado a decisão de fazer primeiro uma consulta à Assessoria Legislativa sobre impropriedades no processo do senador Renan Calheiros e só depois ele definiria de fato o relator do processo”, explicou o senador Casagrande.
O senador disse não ter considerado os argumentos do presidente Quintanilha suficientes e acredita que existam outras razões para o senador do PMDB ter voltado atrás no convite. Casagrande afirmou que o Conselho de Ética está num momento de “instabilidade e desorganização” e que agora ele é quem precisaria reavaliar o convite.
“Para entrar num trabalho como esse, é para fazer uma investigação correta, séria, para dar segurança a quem vai votar e a sociedade brasileira, ou não vale à pena”, disse.
“Estaca zero”
Já faz um mês que as denúncias que motivaram a abertura de processo contra Renan Calheiros vieram à tona, mas o Conselho de Ética ainda não conseguiu organizar uma estrutura de investigação.
“São forças e pressões externas que têm travado o Conselho”, disse o senador. “Ontem, parecia que o Conselho de Ética estabeleceria uma dinâmica de trabalho, mas hoje nós voltamos à estaca zero, como no dia da renúncia do presidente Sibá.”
O senador Casagrande avaliou ainda a permanência do senador Renan Calheiros na presidência da Casa durante as investigações do processo.
“Eu até hoje achava que não atrapalhava as investigações, mas, a partir de hoje, eu vejo que esta posição do presidente acaba interferindo no Conselho de Ética.”
O senador disse que não sabe se o caso “terminará em pizza”, mas afirmou acreditar que o Conselho de Ética precisa de uma posição suprapartidária para encontrar um caminho.
“O Conselho hoje é a cara do Senado e o Senado pelo Conselho está muito mal; como ainda não reiniciamos as investigações e não sabemos como isso vai se conduzir a partir de semana que vem, é difícil fazer um prognóstico hoje.”