A revista Veja, na edição desta semana, publica matéria em que afirma que o ex-tesoureiro do PT, Sílvio Pereira (foto), continua mantendo relações suspeitas com a Petrobras. O petista deixou a direção do PT nacional depois que o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA) revelou, na CPI dos Correios do Congresso Nacional, que ele ganhou de presente da GDK, empresa baiana que presta serviços à estatal, um Land Rover.
Denunciado pelo Ministério Público Federal por formação de quadrilha, peculato e corrupção, Silvinho, como é conhecido, foi apontado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, como peça-chave no esquema de “indicações políticas espúrias” para altos cargos no governo federal. Hoje, o ex-secretário-geral do PT é um empresário. Em julho do ano passado, ele abriu uma firma no ramo de eventos, chamada DNP, juntamente com sua mulher e um irmão. O negócio vai de vento em popa.
Veja teve acesso a documentos que mostram que, de janeiro a abril deste ano, mais da metade do faturamento da DNP, de cerca de R$90 mil, veio, indiretamente, da Petrobras. Os R$55 mil que a DNP embolsou da estatal nos primeiros meses do ano se referem a uma suposta participação no projeto Cinemostra de Verão, patrocinado pela petrolífera. O evento, uma exibição de filmes nacionais ao ar livre, ocorreu em fevereiro, na Praia de Camburi, em Vitória, no Espírito Santo.
Oficialmente, as empresas que o idealizaram e executaram foram a TGS Consultoria e a Central de Eventos e Produções, ambas de propriedade de um mesmo dono, Julio Cesar dos Santos. Foi em nome dessas duas empresas que a DNP emitiu as notas fiscais que lhe permitiram receber, em três parcelas, os R$55 mil reais da Petrobras. Nas notas, atribuem-se à empresa de Silvinho a “coordenação e produção” da mostra. A Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, informa que não tinha conhecimento da participação da DNP de Silvinho na mostra e adianta não possuir “ingerência sobre profissionais ou empresas contratados para execução de projetos patrocinados pela empresa”.
O empresário Julio Cesar dos Santos, dono da TGS e da Central de Eventos, foi diretor da empresa municipal de São Paulo Anhembi Turismo, hoje SPTuris, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. As conexões entre as suas empresas e a de Silvinho não se resumem à mostra de cinema bancada pela Petrobras. O restante do faturamento da DNP até abril deste ano também foi resultado de serviços prestados à Central de Eventos e à TGS.
Além das relações comerciais, existem outros indícios que apontam para uma estreita proximidade entre as três empresas: a gerente administrativa da Central de Eventos, Vivian Perpétuo, acumula o posto de secretária de Silvio Pereira. Além disso, durante pelo menos oito meses, a Central de Eventos e a DNP compartilharam a mesma sede. Por último, há o fato de que Deborah Neistein, mulher de Silvinho e sócia apenas da DNP, contratou serviços gráficos em nome da Central de Eventos.
Três especialistas em direito comercial ouvidos por Veja afirmaram que esses detalhes sugerem que as empresas são, na verdade, uma só. Ou que, pelo menos, são sócias – apesar de o nome de Silvio Pereira figurar formalmente apenas no contrato social da DNP.