BRASÍLIA – Parte dos R$2,2 milhões dados pelo empresário Nenê Constantino, o dono da Gol, ao senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) teria sido usado para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. Segundo reportagem, assinada pelo repórter Diego Escosteguy e publicada pela revista Veja desta semana, “se parte do dinheiro foi mesmo usada para pagar uma bezerra, outra parte teve destino explosivo – serviu para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral que livraram Roriz de cassação em 2006”.
Joaquim Roriz é acusado de ter recebido e partilhado de forma irregular R$2,2 milhões. Em discurso na tribuna do Senado, na quinta-feira, o senador explicou que o dinheiro teria lhe sido repassado pelo empresário Nenê Constantino, dono da empresa aérea Gol, como um empréstimo. Do total, R$300 mil teriam sido usados na compra de uma bezerra e o restante devolvido ao empresário.
Segundo a reportagem de Veja, os R$300 mil podem ter sido usados efetivamente na compra da bezerra, mas do que sobrou do “empréstimo”, R$1,2 milhão foram usados para subornar dois juízes do TRE-DF que em outubro do ano passado julgou pedido do Ministério Público para cassação do registro da candidatura ao senado de Roriz por uso da máquina pública do Distrito Federal em sua campanha. Na época, Roriz havia deixado o cargo de governador do DF para disputar a eleição para o senado.
Segundo a reportagem, o julgamento do caso foi suspenso por um pedido de vista, com o placar de três a dois contra o senador. Ao ser retomada a votação, a votação foi empatada pelo voto-vista e um outro juiz mudou suadecisão em favor de Roriz. O placar passou então para quatro a três a favor do então candidato.
O TRE do Distrito Federal discute hoje, em sessão marcada para às 16h, que medida adotará em resposta à suspeita de que alguns votos do tribunal podem ter sido comprados na decisão tomada em outubro do ano passado que absolveu o ex-governador e senador Joaquim Roriz no processo em que ele era acusado de usar uma empresa pública para fazer campanha eleitoral. O processo foi aberto a partir de uma representação do PCdoB, feita em setembro de 2006, acusando Roriz, então candidato ao Senado, de usar o site da companhia de água e esgoto do DF, a Caesb, para divulgar o número 151, que era o número da candidatura do ex-governador.
O número de relacionamento da Caesb com a população era o 115, mas, por meio de um truque eletrônico, quem acessava o site assistia a uma animação em que aparecia o 151 de Roriz.