O corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), está disposto a abrir investigação sobre Gim Argello (PTB-DF), suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), quando ele assumir o cargo.
Tuma se reuniu na manhã desta sexta-feira com o juiz Roberval Casemiro Belinati, da 1ª Vara Criminal do Distrito Federal, responsável pelas investigações da Operação Aquarela, que prometeu ao corregedor documentos relacionados ao suplente de Roriz.
O juiz também vai mandar os documentos ao STF (Supremo Tribunal Federal), depois que Argello for empossado.
O suplente é um dos citados na Operação Aquarela. Ex-deputado distrital, ele também é acusado de causar um prejuízo de R$ 1,7 milhão à Câmara Legislativa do Distrito Federal, além de responder a denúncias de que teria recebido propina.
Segundo reportagem publicada pela Folha, foi divulgado em 2002 um vídeo em que um deputado distrital diz a outro que Argello recebeu 300 lotes em troca de apoio à aprovação de lei que regularizava o condomínio Alto da Boa Vista, em Brasília.
Outra pendência jurídica que o suplente de Roriz enfrenta é um inquérito no TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região sob a suspeita de crime contra o sistema financeiro nacional. Consulta ao site da Receita Federal confirma que ele tem pendência com o Fisco.
Na Justiça Eleitoral, Argello sofreu uma condenação em 2003 e foi obrigado a pagar multa de R$ 20 mil por propaganda eleitoral irregular.
Divergência
Há uma divergência no Senado sobre a possibilidade de abertura de processo por quebra de decoro contra Argello, uma vez que ele não tinha mandato parlamentar no período referente às denúncias.
O corregedor, no entanto, entende que Argello pode ser investigado, uma vez que já tinha sido diplomado no cargo como suplente de Roriz. “Eu estou disposto a investigar. Não se pode fugir de uma investigação. Até para a tranqüilidade dele, seria um dever.”
Na opinião de Tuma, o Senado tem que evitar a presença de políticos suspeitos de envolvimento em irregularidades. “Se o sujeito consegue burlar [a ética], o Congresso tem obrigação de evitar que esta Casa não vire abrigo permanente de alguns marginais, sem querer ofender, mas que têm praticado a traição na população que neles confiou.”