Os consumidores interessados em comprar um carro financiado devem prestar atenção redobrada às taxas cobradas nas lojas e concessionárias. Bancos e financeiras, para ganhar mercado da concorrência, oferecem uma comissão aos vendedores, conhecida como rebate, que é embutida nas taxas dos financiamentos. Com a queda dos juros, os rebates têm ficado menores, razão pela qual as lojas e concessionárias andam induzindo clientes a tomar empréstimos por prazos maiores, que rendem mais juros – e mais comissões. Como resultado, há casos em que financiamentos mais longos têm taxas mais baixas do que os mais curtos. Vale até a dispensa de entrada, principalmente para desencalhar modelos difíceis de vender.
O que ocorre, porém, é que mesmo assim no final o comprador paga mais caro quanto maior o prazo. Um financiamento de R$ 25 mil por 24 meses a 1,4% ao mês, terá prestações de R$ 1.234 ao mês, que somariam R$ 29,6 mil no final do contrato; já um empréstimo por 60 meses a 0,99% ao mês terá prestações de R$ 555, e um custo final de R$ 33,3 mil.
No primeiro caso, apesar da prestação e da taxa de juros maior, o preço final é menor; no segundo, ocorre o inverso. No primeiro caso, o vendedor vai “dividir” com o banco a diferença de R$ 4,6 mil entre o preço a prazo e o preço a vista; no segundo, terá parte num bolo maior, já que a diferença entre o preço a vista e o a prazo é de R$ 8,3 mil.
Apesar do rebate, normalmente os juros cobrados em concessionárias são menores do que os juros bancários que aparecem na tabela de simulações desta página. Mas se o cliente tiver um bom relacionamento com o seu gerente, e um histórico de bom pagador, pode conseguir taxas mais baixas. – O cliente tem mais poder de barganha no banco onde tem conta do que numa concessionária – diz o especialista Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
A prática do rebate é antiga, mas com o aumento da oferta de crédito a pessoas físicas e com a aprovação da portabilidade dos empréstimos (que permite a transferência de crédito de uma instituição para outra), os bancos tendem a reduzir as comissões pagas, o que pode significar taxas mais baixas para quem comprar a prazo nas lojas.
Como os financiamentos são de longo prazo, e os juros estão em queda, quem compra um carro financiado hoje por 2% ao mês por quatro anos, daqui a dois anos vai querer trocar seu contrato por um outro feito junto a um banco que esteja cobrando juros mais baixos, diz o especialista da Anefac. – E de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, os bancos precisam dar desconto nos juros na quitação antecipada – diz Oliveira.
A portabilidade é ainda inviável para financiamentos de carros, já que o bem fica alienado em nome do banco – o que dificulta a transferência da propriedade. Mas já começa a valer a pena tomar crédito num banco para quitar o empréstimo caro, usando o carro como garantia, por exemplo. Embora a taxa de juros ainda esteja alta em relação aos padrões internacionais, o financiamento de automóvel está entre os mais baratos do Brasil.
Segundo dados do Banco Central, a taxa de juros recuou de uma média de 64,5% ao ano em junho de 2001 para 55,6% em maio último. Estes contratos de financiamento oferecem garantias contra inadimplência – o automóvel é muito facilmente retomado, e é um bem que tem alta liquidez. Ou seja, ele acaba sendo vendido rapidamente e serve para cobrir o valor emprestado – e muitas vezes ainda sobra troco para o consumidor.