A justiça argentina emitiu ontem um mandado de captura internacional contra o empresário venezuelano que tentou entrar no país com uma mala com quase 800 mil dólares (cerca de 600 mil euros), mas que foi autorizado a partir. Este escândalo, cujos tentáculos atingem o Governo de Néstor Kirchner e a empresa esta tal Petróleos da Venezuela (PDVSA), está a causar tensão entre Buenos Aires e Caracas.
O dinheiro foi apreendido a Guido Antonini Wilson quando este chegou à capital argentina, na madrugada de 4 de Agosto, depois de ter viajado desde Caracas num avião alu gado pelo Governo de Kirchner. O Cessna Citation X transportava altos funcionários argentinos que tinham ido discutir os últimos pormenores de um acordo energético entre os dois países. Um deles, Claudio Uberti, já foi obrigado a demitir-se.
A bordo do avião seguiam também quatro executivos da PDVSA, incluindo o filho do vice-presidente Diego Uzcategui Matheus, que terá pedido a “boleia” para Wilson. A empresa venezuelana ordenou um inquérito ao caso, mas o ministro da Energia Rafael Ramírez, já negou qualquer relação com o empresário.
Apesar da pressão por parte de Buenos Aires, o Presidente venezuelano Hugo Chávez recusa dar qualquer explicação. “A responsabilidade penal é individual”, disse o ministro do Interior, Pedro Carreño, e não do Governo. Uma resposta que não agradou a Buenos Aires.
Para complicar mais o caso, a oposição venezuelana diz que havia mais um passageiro a bordo do Citation X, um tenente-coronel do corpo de elite de Chávez. Segundo estas indicações, Julio César Avilán Díaz seria o verdadeiro “homem da mala”.
Os dólares foram apreendidos, mas Antonini Wilson, de 46 anos, foi autorizado a sair da Argentina. Aparentemente (mas sem que haja confirmação), está em Miami, onde reside. A decisão de emitir um mandado de captura por alegado contra- bando e lavagem de dinheiro foi tomada pela procuradora María Luz Rivas Diez, uma vez que a investigação ainda não está a cargo de nenhum juiz. A juíza que inicialmente tinha ficado com o caso afastou-se por causa das críticas que lhe foram feitas, mas o segundo magistrado destacado não aceitou liderar a investigação por considerar “débil” esta justificação.
O caso da mala de dinheiro é mais um dos que está a atingir o Governo de Kirchner, mas a oposição não tem conseguido aproveitar o caso para atingir a candidatura da primeira-dama às presidenciais de Outubro. Segundo as sondagens, a senadora Cristina Kirchner tem quase 50% das intenções de voto. Uma das hipóteses apontadas para o destino do dinheiro seria a sua campanha.