Os ministros Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes e Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal Federal), negaram, ontem, que tenham julgado os 40 denunciados de envolvimento com a “faca no pescoço”. A referência foi feita pelo ministro Ricardo Lewandowski, em conversa telefônica, registrada com exclusividade pela reportagem do jornal Folha de São Paulo. “Está para nascer quem coloque uma faca no meu pescoço para decidir, está perdendo tempo, não me senti acuado e muito menos com a faca no pescoço”, disse Ayres Britto.
De forma semelhante reagiu Gilmar Mendes. “Poxa vida, o que é isso? [Nunca me senti com a faca no pescoço] nem agora nem em nenhum outro momento. Uma característica forte deste tribunal [STF] é essa: não ceder à pressão. É da tradição republicana”.
Grau ressaltou que o julgamento foi “histórico, transparente e translúcido”. “O tribunal procederia exatamente como procedeu”, disse Grau. “Faz mais de cem anos que procedemos com integridade, dignidade, lucidez, transparência, todos podendo se olhar no espelho com grande tranqüilidade, independentemente de qualquer consideração que se faça. Nós cumprimos nosso dever, só isso”, comentou.
Em nota oficial, o STF defendeu a transparência no processo de julgamento das denúncias contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão.
“O Supremo Tribunal Federal —que não permite nem tolera que pressões externas interfiram em sua decisões— vem reafirmar o que testemunham sua longa história e opinião pública nacional, que são a dignidade da Corte, a honorabilidade de seus ministros e a absoluta independência e transparência de seus julgamentos. Os fatos, sobretudo os mais recentes, falam por si e dispensam maiores explicações”, diz a nota assinado pela presidente do STF, Ellen Gracie.
Reportagem exclusiva de Vera Magalhães, do Painel da Folha, informou que Lewandowski disse ao telefone que a “imprensa acuou o Supremo” no julgamento que decidiu pela abertura de ação penal contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão. “Todo mundo votou com a faca no pescoço”, afirmou Lewandowski, segundo a reportagem da Folha. “A tendência era amaciar para o Dirceu.”
Explicações – Lewandowski procurou ontem cada um dos nove colegas para se explicar. No telefonema, ele disse que os ministros julgaram as denúncias dos 40 acusados no mensalão com a “faca no pescoço” e pressionados pela mídia. Na conversa com os colegas, ele negou as insinuações.