Nas escutas feitas pela Polícia Federal, o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, insiste para nenhum dirigente confirmar o óbvio: que Boris Berezovski era o dono do dinheiro da MSI e que Kia Joorabchian não passava de um mero administrador. Não queria que ficasse caracterizada a participação de Berezovski de jeito nenhum.
Mas o ex-vice-presidente de futebol do Corinthians, Rubens Gomes, acabou com a farsa. Num diálogo captado pela PF, ele afirma ter uma carta de Berezovski confirmando que investia no clube. E nesta segunda-feira, o antigo aliado de Dualib confirmou a história.
“Eu tenho uma cópia de uma carta do Boris que garante o investimento de US$ 50 milhões [cerca de R$ 100 milhões] no Corinthians. Me deram essa cópia e eu guardei. Sou um homem considerado bruto, mas sou transparente, não minto. Essa carta é do Berezovski mesmo”, disse Rubens Gomes.
A postura de Rubão (apelido que ganhou por causa do porte físico avantajado) se choca com a de Dualib. A PF registra as palavras do presidente ditas depois de um desmentido da MSI (que ninguém da diretoria corintiana levou a sério). No desmentido colocado no site da parceira do Corinthians havia a garantia de que Berezovski não tinha nada a ver com a MSI. Na ocasião, Dualib deu a ordem para “ninguém mais pode falar em Boris”. “O Boris acabou, tá fora. E se ele (o ex-vice-presidente de futebol do clube, Andrés Sanchez) falar que o Boris é (investidor) f… com tudo”, chegou a dizer Dualib.
A confirmação de Rubão caracteriza o que a Polícia Federal quer: a certeza da lavagem de dinheiro do bilionário russo que é caçado pela Interpol.
“Essa é mais uma confirmação de quanto o presidente Dualib mentiu. Uma carta do Berezovski é indiscutível. Dualib trouxe esse tipo de gente para o Corinthians e agora tenta disfarçar, mentir. Essa tese acabou faz tempo”, afirma o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, que é conselheiro corintiano.
A Polícia Federal registra um diálogo em que Rubão sugere ao empresário Renato Duprat que leve Berezovski para conversar com o presidente Lula – outra evidência de quanto o russo estava envolvido com a MSI.
“Foi quando o Dualib estava em Londres e o presidente Lula também. Houve um amistoso entre Brasil e Argentina. Já que o Boris não podia entrar no Brasil, era levá-lo ao Lula em Londres”, contou Rubão.
Rubão só não confirmou outro diálogo que a Polícia Federal levantou. No dia 28 de maio, ele pediu para o empresário Renato Duprat conversar com o deputado estadual Vicente Cândido. Ele queria um emprego em seu gabinete – trabalhou quatro anos no gabinete de Romeu Tuma Júnior, mas deixou o cargo em 14 de março.
“Não me lembro dessa conversa. Eu fui falar pessoalmente com o Vicente. Sou do PT há 15 anos. E ele me arrumou o emprego. Hoje eu sou seu assessor parlamentar. Não devo nada ao Duprat”, avisou Rubão.