O ministro da Justiça, Tarso Genro, se reúne nesta segunda-feira em Mônaco com autoridades judiciais do país para reforçar o interesse do governo brasileiro na extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola.
Mas a procuradora-geral de Mônaco, Annie Brunet-Fuster, disse que a viagem do ministro “só terá efeito se ele trouxer o pedido de extradição”.
Uma visita apenas diplomática não permitirá, segundo ela, que o processo avance na Justiça de Mônaco. A procuradora vêm afirmando nos últimos dias que continua aguardando os documentos brasileiros.
Segundo informações do Ministério da Justiça, divulgadas na quinta-feira, Genro não levaria na bagagem o pedido formal de extradição, mas somente os trechos mais importantes das ações contra Cacciola.
O processo judicial que pede a extradição do ex-dono do banco Marka possui 552 páginas e ainda está sendo traduzido para o francês, informou a assessoria do ministério.
O dossiê contra Cacciola na Justiça de Mônaco se resume até o momento a uma magra pasta com um dezena de papéis, que tratam basicamente de sua prisão no principado.
O ministro Tarso Genro passou o dia de domingo em Paris, mas evitou falar com a imprensa. Ele embarcou para Mônaco na manhã desta segunda-feira.
Ele se reúne ainda na segunda com o diretor dos Serviços Judiciários, Philippe Narmino, cujo cargo é equivalente ao de ministro da Justiça, e depois, em outro encontro, com a Procuradora-Geral de Mônaco.
O Brasil dispõe agora de pelo menos duas semanas para enviar o pedido de extradição, já que o prazo legal, de 20 dias, começou a correr desde a prisão de Cacciola, no último dia 15.
Mas esse prazo de 20 dias pode ser prorrogado por mais 20 dias a pedido do governo brasileiro.
O advogado de Cacciola em Mônaco, Frank Michel, afirmou à BBC Brasil que preferiria que o ministro Genro “não fosse a Mônaco”.
Mas o advogado disse também acreditar que a visita do ministro não irá influenciar em nada o julgamento dos magistrados da Corte de Apelações de Mônaco, o equivalente a um tribunal de recursos, que irá analisar a validade jurídica do pedido de extradição de Cacciola.