O ex-capelão da polícia Christian Von Wernich foi condenado nesta terça-feira (9) à prisão perpétua por crimes contra a humanidade cometidos durante a ditadura militar na Argentina.
Von Wernich, de 69 anos, foi considerado culpado de sete homicídios, 31 casos de tortura e 42 seqüestros, no primeiro julgamento contra um padre ligado a uma ditadura da América Latina.
O sacerdote escutou a sentença com um semblante imperturbável, diante do tribunal na cidade de La Plata, 60 km ao sul de Buenos Aires.
O cardeal primaz da Argentina, Jorge Bergoglio, disse que a Igreja ficou “comovida pela dor que nos causa a participação de um sacerdote em delitos gravíssimos”.
“Acreditamos que os passos que a Justiça dá no esclarecimento destes fatos devem servir para renovar os esforços de todos os cidadãos no caminho da reconciliação e são um apelo contra a impunidade, o ódio e o rancor”, disse a cúpula eclesiástica.
A decisão foi festejada por centenas de manifestantes de organismos de defesa dos direitos humanos e membros de partidos políticos, que cantaram e soltaram fogos, além de queimar um boneco de Von Wernich.
“Se fez justiça! É um dia histórico que jamais as Mães da Praça de Maio pensaram em viver. É algo muito forte!”, disse Tati Almeyda, uma das líderes da organização humanitária.
Eduardo Luis Duhalde, secretário de Estado dos Direitos Humanos do governo de Néstor Kirchner, destacou que é preciso “seguir condenando todos os culpados pela repressão ilegal”.