Juíza decide manter viúva e outros cinco réus presos até o julgamento.
Em nota oficial, TJ diz que indícios são contradições e interceptações telefônicas.
Os seis acusados no assassinato do milionário da Mega-Sena vão ser levados a júri popular. A decisão desta terça-feira (16) é da juíza Renata Gil de Alcântara Vieira, que decidiu manter a viúva Adriana Almeida, o ex-PM Anderson de Souza, sua mulher e outros três ex-seguranças de Renné Senna presos até o seu julgamento. Ainda não há data para o julgamento.
Ganhador de R$ 51,8 milhões na Mega-Sena em 2005, Renné foi morto com quatro tiros na cabeça no dia 7 de janeiro deste ano em um bar em Rio Bonito (Baixada Litorânea do Rio de Janeiro). A viúva é apontada como a mandante do crime.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime foi cometido por motivo torpe, pois Adriana pretendia se beneficiar de um testamento preparado por Renné, que excluía seus 11 irmãos e dividia a fortuna entre ela e a filha do milionário.
O MP alega ainda que a vítima não teve chance de defesa. Renné foi surpreendido quando tomava cerveja num bar a poucos quilômetros de sua fazenda e, diabético, teve as duas pernas amputadas.
Juíza vê indícios em interceptações telefônicas
Em suas alegações finais, o MP chegou a requerer que os ex-seguranças Ronaldo Amaral de Oliveira e Marco Antonio Vicente ficassem de fora do júri popular. Porém, para a juíza, as provas produzidas durante o processo, como o depoimento das testemunhas, interceptações telefônicas e contradições dos acusados, são indícios suficientes da participação de todos réus no crime.
Segundo a nota oficial do Tribunal de Justiça, as interceptações telefônicas apontam o encontro pessoal de Adriana com Anderson de Sousa e Janaína no dia 6 de janeiro, horas antes do assassinato. A prova desmente a versão apresentada pela viúva de que não teria mantido contato com o casal após Anderson ter sido desligado da segurança de Renné.
Pesam ainda contra Adriana algumas atitudes, como ter abandonado a fazenda onde vivia com o milionário dois dias antes do crime, em razão de forte briga com René; a transferência de valores da conta conjunta do casal para uma conta pessoal logo após o assassinato e a contratação de um advogado criminalista para sua defesa horas depois do homicídio.