O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), rebateu a idéia do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), de liberar da cobrança de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) as movimentações financeiras das pessoas isentas de Imposto de Renda. “Isso é uma bobagem. É bombom para enganar menino”, reagiu o tucano. “Não venham oferecer migalhas”, emendou o líder do DEM, senador José Agripino (RN).
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), informou que, na reunião do representantes do governo com os líderes da Casa nesta quarta-feira, 17, foi levantada a hipótese de estender a isenção da CPMF para quem ganha salário até R$ 1,7 mil. Após a reunião, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, afirmou que o governo também aceita negociar a isenção da CPMF para quem ganha até R$ 1,2 mil.
“Essa medida tiraria milhões de contribuintes, que juntos representam menos de 2,5% da arrecadação do tributo”, disse o ministro, afirmando que essa idéia é tecnicamente viável para a implementação pela Receita Federal.
O senador José Sarney (PMDB-AP) ainda tentou melhorar a proposta de Jucá, elevando o valor de R$ 1.780,00 – o teto de isenção de Imposto de Renda – para R$ 2.000,00. Isso, segundo ele, teria um alcance maior e não daria muitos prejuízos ao governo. Mesmo assim a proposta não agradou a oposição, sobretudo o DEM, que continua firme na posição de votar contra a prorrogação. A estratégia do governo é buscar no PSDB a falta de votos em sua base partidária.
Segundo Raupp, se essa proposta for aceita pelo governo, a bancada do PMDB em peso votará a favor da prorrogação do tributo. “Creio que apenas um senador votaria contra”, disse, sem mencionar quem seria.
Para convencer a oposição a encurtar os prazos de tramitação da emenda, o governo vai recorrer ao passado. A senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) vai argumentar que na prorrogação da CPMF feita no governo do PSDB, o PT votou contra mas não impediu um acordo político para reduzir prazos de tramitação.