Após 14 horas de julgamento o Conselho de Sentença da 2ª Vara Penal da Comarca de Belém decidiu, por unanimidade (7×0), condenar a 27 anos de prisão Rayfran das Neves Sales, assassino confesso da missionária Dorothy Stang. A sentença foi lida pelo juiz Raimundo José Alves Flecha por volta das 22h50, desta segunda-feira. Na decisão da pena foram considerados agravantes, pela vítima ser idosa, e atenuantes, já que o réu confessou a autoria do crime.
A tese defendida pela acusação foi de homicídio duplamente qualificado, praticado com promessa de recompensa, motivo torpe e uso de meios que impossibilitaram defesa da vítima. Atuaram na acusação o promotor Edson Cardoso, auxiliado pelos advogados Aton Fon Filho e João Batista Gonçalves, da Comissão Pastoral da Terra. Na defesa, atuaram o advogado César Ramos com o apoio dos advogados Kalil Gibran e Vivian Paes.
O acusado cumprirá a pena em regime fechado em um dos presídios da Região Metropolitana de Belém (ainda a ser definido). Rayfran foi preso logo após o crime, ocorrido em 12 de fevereiro de 2005. Ele foi levado a julgamento em sessão realizada em dezembro do mesmo ano, sendo condenado, por unanimidade, a 27 anos de reclusão.
Como a pena excedeu 20 anos, teve direito a novo júri. O réu assumiu a responsabilidade do crime e isentou os demais acusados de envolvimento no processo, afirmando que matou a vítima porque se sentiu ameaçado por ela. Para o Ministério Público, não há argumentos para se falar em crime praticado sob violenta emoção por parte do acusado. O promotor afirmou que Rayfran praticou o assassinato movido pelo interesse financeiro, explicando que a vítima era tida como uma ameaça para os fazendeiros da região, em virtude das atividades sociais que exercia, principalmente na área da Transamazônica.
Além de Rayfran, já foram julgados e condenados no processo Clodoaldo Batista (17 anos de reclusão), Amair Feijoli da Cunha (18 anos de reclusão) e Vitalmiro Bastos de Moura (30 anos de reclusão). Já ao réu Regivaldo Pereira Galvão, o juízo aguarda o julgamento de recursos em Brasília para definição de realização de júri popular.