O caso Richthofen volta aos tribunais nesta quinta-feira (22). Está marcado para as 9h, na 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), no Fórum João Mendes, no Centro da cidade, o julgamento da apelação dos advogados que representam os irmãos Cravinhos e dos que trabalham para Suzane Richthofen.
Alegando falhas no julgamento que resultou na condenação do trio pela morte de Manfred e Marísia Richthofen, pais da garota, os defensores pedem a anulação.
Denivaldo Barni Júnior e Mauro Nacif, advogados que representam Suzane, baseiam o pedido na tese de que houve confusão na formulação das perguntas feitas aos jurados para determinar a pena.
Caso os desembargadores Damião Cogan, Carlos Biasotti e Pinheiro Franco, responsáveis pelo novo julgamento, rejeitem os argumentos, eles tentarão alegar que houve “crime continuado”, ou seja, as duas mortes foram resultados de um só crime, o que poderia ajudar na redução da pena. A partir disso, os dois advogados podem tentar um recurso para que ela seja solta após ter cumprido parte da pena.
O advogado Adib Geraldo Jabur, que representa os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, deve utilizar estratégia semelhante. Foi ele quem pediu mais tempo para preparar a defesa e conseguiu que o julgamento, inicialmente marcado para quinta-feira (8), fosse adiado para esta quinta-feira.
Recursos negados
Além disso, os advogados de defesa de Suzane tentaram outros recursos jurídicos para livrar a garota. Eles entraram com novo pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (6) para que ela possa responder em liberdade até o trânsito final da apelação da sentença condenatória, mas o pedido foi negado nesta quarta-feira (14). Em setembro, o STF já havia negado recurso semelhante.
Desde que foi presa, Suzane reclama da vida na prisão e abriu processo contra o Estado por danos morais e materiais. Em duas ações judiciais, pede indenizações de R$ 950 mil. Alega ter sofrido ameaça de morte e ter sido mal tratada enquanto estava sob tutela do estado. A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo (PGE) vai recorrer das duas ações.
Assim como os advogados de Suzane, os dos irmãos Cravinhos também tentaram recorrer ao STF anteriormente, igualmente sem sucesso.
Assassinato dos pais
O engenheiro Manfred e a psiquiatra Marísia foram assassinados enquanto dormiam em sua mansão na Rua Zacarias de Góis, no Brooklin, Zona Sul de São Paulo, na madrugada do dia 31 de outubro de 2002. O casal levou golpes de barras de ferro na cabeça e Marísia ainda foi asfixiada com uma toalha e um saco plástico.
Suzane, seu namorado na época do crime, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian Cravinhos, foram condenados pelos assassinatos. O namoro de Suzane com Daniel era a causa da maioria de seus conflitos com seus pais.
O julgamento do trio aconteceu em julho de 2006. Suzane Richthofen foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão pelo crime. Daniel, namorado dela na época, cumpre a mesma pena. Christian, irmão de Daniel, foi condenado a 38 anos e seis meses de detenção. As sessões levaram cinco dias e foram marcadas por choro, discussão e o depoimento de Andreas von Richthofen, irmão com quem Suzane disputa a herança familiar.
O namoro de Suzane Richthofen com Daniel Cravinhos era a causa da maioria de seus conflitos com seus pais. A família vivia em uma casa confortável na Rua Zacarias de Góis, no Campo Belo, na Zona Sul de São Paulo.