Revolta, raiva e indignação. Esses foram os sentimentos demonstrados no protesto feito ontem (22) por trabalhadores rurais da Usina Santa Clotilde, de Rio Largo (AL). Os trabalhadores ameaçaram invadir o prédio e queimaram pneus, alegando que a empresa desrespeitou o que foi acordado com a Procuradoria Regional do Trabalho de Alagoas, durante a paralisação da quarta-feira (21).
“A usina quer que a gente trabalhe dobrado sem ganhar um centavo a mais”, denunciou um dos trabalhadores, referindo-se às falhas na pesagem da cana. Num clima tenso, que teve até a presença do Batalhão de Operações Especiais (Bope), o procurador-chefe da PRT/AL, Rodrigo Alencar, foi chamado pelo Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar de Alagoas para tentar nova negociação com a empresa e os trabalhadores.
Após quase cinco horas de diálogo, Alencar conseguiu acalmar os ânimos e marcou a assinatura do termo de compromisso para hoje (23), às 17h, na sede da PRT/AL. O termo atenderá as reivindicações dos trabalhadores, entre elas a mudança na pesagem da cana e a redução da jornada de trabalho aos sábados (até 11h).
A partir de agora, a pesagem será feita pela média de duas áreas escolhidas pelos trabalhadores e duas pela usina. “Esse procedimento vai atender a reivindicação dos trabalhadores e garantir que não haja mais erros durante a pesagem”, disse o procurador, acrescentando que a usina manterá o pagamento do piso da categoria para quem não atingir a produtividade.
A usina terá de providenciar água potável e fria para os trabalhadores no campo e não descontará os dois dias de paralisação. Também estará obrigada a devolver as Carteiras de Trabalho registradas, pagar o 13º no próximo dia 8, fazer a reposição de ferramentas e dos equipamentos de proteção individual (botas, luvas, óculos) e providenciar melhorias no alojamento, onde são acomodados cortadores de outros municípios.