A Defensoria Pública do estado deve ingressar com ação contra quatro profissionais do Hospital São Jorge (PAM de Roma) e contra a administração do Hospital Geral Roberto Santos. As acusações variam de negligência a maus-tratos e estão sendo apuradas pela subcoordenadora de Defensoria Especializada do Idoso, Walmary Pimentel. Hoje, às 10h30, ela deve colher oficialmente o depoimento de Rita Menezes, que enfrentou um verdadeiro calvário durante uma semana para conseguir atendimento médico para a mãe, Hilda Menezes Lima, 86 anos.
O caso teve início no último dia 5, quando Rita procurou o PAM em busca de alívio para dona Hilda, que há quatro semanas não conseguia ir ao banheiro. O primeiro atendimento foi feito e, após o exame radiográfico, ficou constatada a necessidade de uma lavagem intestinal. Por falta de leitos, dona Hilda aguardou por toda a madrugada numa cadeira de rodas, no corredor.
Desesperada, Rita conta que pediu ajuda a um médico e foi destratada. Em termos chulos, ele disse que o hospital não era lugar para se evacuar. No dia seguinte, foi feita a lavagem, mas sem sucesso. Numa outra tentativa de obter alívio para a mãe, Rita ouviu de uma médica: “Vá falar com o governador”.
Transferência – No último domingo, um familiar de Rita encontrou, durante a feira de direitos humanos realizada na Barra, a defensora Walmary Pimentel. Com intervenção dela, foi conseguida, na última segunda-feira, uma vaga através da central de regulação para o Hospital Geral Roberto Santos. Após aguardar durante todo o dia, Rita e a mãe foram colocadas numa ambulância e, chegando ao Roberto Santos, foram mandadas de volta para o Hospital São Jorge. No caminho, Rita ligou para a defensora, que mais uma vez intermediou a transferência. De volta ao PAM, a paciente octogenária teve que esperar pela boa vontade do motorista da ambulância. “Ele largou minha mãe na porta do hospital e disse que ia jantar”, diz Rita indignada.
Finalmente no Roberto Santos, dona Hilda aguardou dois dias até que fosse feito algum procedimento. “Fizeram os exames e colocaram ela no soro, mas ninguém veio ver ela depois disso”, relembra Rita. Na quarta-feira, a defensora Walmary foi ao hospital e constatou o descaso. A visita provocou uma transformação e ontem, um procedimento simples finalmente aliviou as dores da paciente. Com o uso de luvas, um médico fez o procedimento de toque retal, desobstruindo o canal excretor.
A defensora Walmary Pimentel pretende denunciar os dois médicos que destrataram a paciente no PAM Roma, bem como o motorista e a enfermeira que a acompanhou na ambulância. Ela também tem intenção de acionar a administração do Hospital Roberto Santos para averiguar a falta de vagas e a demora no atendimento aos pacientes. A Secretaria Estadual de Saúde, através de assessoria, informou que só irá se pronunciar após notificação judicial.