O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, recebeu no dia 20 do chefe substituto da Divisão de Medidas Compulsórias do Ministério da Justiça, Humberto Alves de Mendonça, um fax informando, por meio da Interpol, que o brasileiro Samuel Rodrigues de Jesus, cuja prisão preventiva foi decretada pelo magistrado em 15 de maio de 2006, foi preso em Portugal. Ele é acusado de assassinar, por motivo torpe, Reginaldo Teixeira Guerra, em fevereiro de 1999, cujo processo está em tramitação na 1ª Vara Criminal de Goiânia. Como Samuel não foi encontrado após o decreto de prisão, Jesseir oficiou a Interpol, com sede na Superintendência da Polícia Federal, em 5 de outubro de 2006 para que o acusado fosse localizado em Portugal e incluído na Difusão Vermelha (procurados internacionais), caso fosse necessário. Oficiou ainda ao Itamaraty, em Brasília (DF), solicitando sua prisão e extradição junto à autoridade judiciária portuguesa e embaixada portuguesa, na mesma circunscrição judiciária. Em 9 de novembro de 2006, Jesseir encaminhou mandado de prisão, requerimento para passaporte e cópia do decreto de prisão do acusado à Divisão de Medidas Compulsórias solicitando sua prisão e extradição junto à autoridade judiciária portuguesa.
Segundo o magistrado, é importante esclarecer as pessoas de que acusados de crimes que empreendem fuga para o exterior também não ficam impunes. “Precisamos mudar essa mentalidade de que os brasileiros acusados de determinados crimes que conseguem fugir para fora do País jamais são pegos. Isso não é verdade, uma vez que nossa função é buscar a Justiça e verdade sempre, onde quer que elas estejam”, afirmou. De acordo com denúncia formulada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), o técnico em iluminação Samuel Rodrigues, de 31 anos, e o músico Ermantino Barbosa de Souza Júnior, o Xexéu, assassinaram, por motivo torpe e empregando meio cruel, Reginaldo Teixeira Guerra, em 9 de fevereiro de 1999. Segundo o MP, na manhã de 8 de fevereiro de 1999, por suspeitar que Ermantino estaria “mexendo” com sua companheira, Ana Lúcia Martins, Samuel deu-lhe uma surra.
No mesmo dia, conforme relatou o MP, por volta das 22 horas, os denunciados, a vítima e Divânio Pires da Fonseca se encontraram no bar do João, localizado na Vila Morais, onde passaram a beber várias cervejas. Os quatro dirigiram-se então à casa de Ermantino, que chegou a pegar uma faca com o objetivo de se vingar da surra que havia levado. No entanto, Samuel conseguiu desarmá-lo. Em seguida, em companhia da vítima e de Divânio, se dirigiram para um outro bar, situado no Bairro Feliz, onde aproveitaram para beber mais cervejas.
Ao deixarem o bar, por volta das 2 horas, retornaram à Vila Morais. Na imediações de uma oficina mecânica, segundo os autos, a vítima aproximou-se de um portão e abaixou-se para acariciar dois cães que estavam no local. Nesse momento, Divânio deu-lhe um murro fazendo com que caísse no solo. Os denunciados, conforme a denúncia, também passaram a bater na vítima, esmurrando-a e chutando-a, acabando por desistir das agressões após um pedido de Samuel para que parassem. No entanto, assim que chegaram à casa de Ermantino resolveram voltar ao local para “dar cabo” à vida de Reginaldo.
Ao perceberem que ele ainda estava caído no chão, ambos se armaram de uma cadeira e, com crueldade, passaram a golpear sua cabeça. A vítima, relatou a denúncia, ainda tentou se levantar, porém foi atingida por outros golpes, uma vez que Ermantino e Samuel usavam a parte de madeira e a haste de ferro da carteira escolar, o que causou-lhe a morte por traumatismo craniano.