O governo abriu as portas para os gastos com cartões corporativos em 2007. Os pagamentos por esse intermédio, considerado de difícil fiscalização, ultrapassaram a marca de R$ 75 milhões. O montante é 127% maior, mais do que o dobro, portanto, dos R$ 33 milhões utilizados em 2006 e 248% maior do que os valores de 2005. “Isso é inadmissível. Um gasto gigantesco como esse é uma afronta aos brasileiros, ainda mais num momento de aumento de impostos”, critica o senador paranaense Álvaro Dias (PSDB), que vem há dois anos tentando sem sucesso identificar as despesas encobertas pelos cartões corporativos.
Segundo a Controladoria-geral da União, o responsável pelo estouro nos pagamentos com cartão em 2007 foi o Ministério do Planejamento. O órgão utilizou sozinho mais de R$ 34 milhões. A quantia é nada menos que 662% maior do que a utilizada no ano anterior, além de ultrapassar o gasto total do Executivo durante todo o ano de 2006. Por ironia, na semana passada, o chefe da pasta, ministro Paulo Bernardo, recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a missão de elaborar um relatório apontando onde os gastos do governo devem ser reduzidos para que o Executivo se adapte ao corte de R$ 20 bilhões nas despesas após o veto do Senado à prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).