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Isto É: Prefeitura de Salvador acusada de manipular licitação do lixo

Isto É: Prefeitura de Salvador acusada de manipular licitação do lixo

Reportagem publicada na revista ‘Isto É’ revela que concorrência pública favorece três empresas do setor.No âmbito das concessões públicas, nada rende mais do que a coleta de lixo. Em Salvador não é diferente. Aqui, no entanto, o serviço tem direito, inclusive, à manipulação de licitação. A revista Isto É que circula este final de semana traz matéria intitulada de “O ministro e o lixo”. Nela, o repórter Sérgio Pardellas mostra que na Quarta-feira de Cinzas entrará em vigor o contrato emergencial de coleta de lixo da capital baiana. Em jogo, R$150 milhões por ano. O contrato atual para a limpeza da cidade foi celebrado há seis anos, com validade de 72 meses.

Reportagem publicada na revista ‘Isto É’ revela que concorrência pública favorece três empresas do setor.No âmbito das concessões públicas, nada rende mais do que a coleta de lixo. Em Salvador não é diferente. Aqui, no entanto, o serviço tem direito, inclusive, à manipulação de licitação. A revista Isto É que circula este final de semana traz matéria intitulada de “O ministro e o lixo”. Nela, o repórter Sérgio Pardellas mostra que na Quarta-feira de Cinzas entrará em vigor o contrato emergencial de coleta de lixo da capital baiana. Em jogo, R$150 milhões por ano. O contrato atual para a limpeza da cidade foi celebrado há seis anos, com validade de 72 meses.

A Isto É mostra ainda que o contrato se encerraria na primeira semana de fevereiro. As mesmas empreiteiras que hoje detêm os contratos de lixo – Vega, Jotagê e Torre – continuarão responsáveis por fazer a varrição, a coleta e os serviços complementares. “Todas de olho no que realmente importa: o início do novo processo licitatório, que poderá render ao consórcio vencedor nada menos do que R$4 bilhões por um contrato de 20 anos, prorrogáveis por igual período. Um modelo aprovado com rapidez impressionante, que vai garantir ao vencedor o monopólio da coleta de lixo da terceira capital do Brasil, com três milhões de habitantes, por quase meio século”, diz trecho da revista.

O processo licitatório é assinado pelo prefeito João Henrique (PMDB), mas o mentor da proposta que permitirá a concessão, por meio de parceria público-privada (PPP), é o secretário municipal de Serviços Públicos, Fábio Mota, indicado pelo ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, e pelo presidente do PMDB baiano, Lúcio Vieira Lima. Mota é ex-presidente da Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana). “Sou indicação do PMDB”, reconhece Mota, que substituiu João Santana, também ligado a Geddel. Hoje, Santana é secretário de Infra-Estrutura Hídrica do Ministério de Geddel.

“Quem está por trás nesse negócio é o Geddel”, diz o vereador Jorge Jambeiro (PSDB). “Estão criando uma espécie de estatal para gerenciar a coleta e destinação do lixo na cidade. Pelo visto, o lixo em Salvador não é lixo, é ouro”, acrescentou. Lúcio Vieira Lima rebate: “Sou responsável por dirigir o partido, não dirigir licitação”. A oposição questiona a restrição da concorrência a duas ou três empresas, segundo prevê o edital.

A revista afirma ainda que em São Paulo, quando a prefeita Marta Suplicy (PT) fez a licitação do lixo, havia seis lotes para varrição, dois para coleta e outros quatro para os aterros. Em Salvador, há apenas um lote para tudo. A oposição quer mudar critérios para arejar a concorrência e diminuir o preço.

A autorização para a parceria público- privada foi dada na madrugada do dia 29 para o dia 30 dezembro pela Câmara Municipal. “Permitimos porque está sendo feito PPP em todo o país”, disse o vereador Téo Senna (PTC). “É inacreditável que isso esteja acontecendo”, criticou o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), entrevistado pela revista. “É absolutamente ilegal esse procedimento. Não se pode fazer uma licitação com duração de 20 anos e superando cifras de R$4 bilhões no último ano de um mandato de prefeito”, acrescentou o parlamentar.

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