A ministra Matilde Ribeiro (foto) anunciou nesta sexta-feira que deixa a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Social. O desligamento foi anunciado logo depois de um encontro entre Matilde e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.
A permanência de Matilde no governo passou a ser questionada após o desgaste provocado pela suspeita de suposto uso irregular do cartão de crédito corporativo. Em 2007, as despesas de Matilde com o cartão corporativo somaram R$ 171 mil. Desse total, ela gastou R$ 110 mil com o aluguel de carros e mais de R$ 5.000 em restaurantes. Um dos gastos considerados suspeitos foi o pagamento de uma conta de R$ 461,16 em um free shop. A assessoria da ex-ministra disse que ela usou o cartão corporativo por engano e que já teria devolvido o montante para os cofres públicos.
Apesar das justificativas, assessores do Planalto consideraram que a permanência de Matilde na secretaria mantinha as denúncias de irregularidades no noticiário e prejudicava o governo. O Planalto esperava que a própria Matilde Ribeiro tomasse a iniciativa de deixar o cargo para evitar um desgaste ainda maior. O presidente Lula relatou nesta quinta-feira a assessores estar “incomodado” com o caso e avalia que a melhor saída seria ela colocar o cargo à disposição.
Se ela não tomar essa iniciativa, o presidente Lula deve aguardar o relatório da auditoria que a CGU (Controladoria Geral da União) está fazendo nos gastos do cartão corporativo da ministra antes de tomar qualquer medida contra ela. O relatório deve ficar pronto apenas depois do Carnaval.
Férias
Mesmo em férias, Matilde usou o cartão corporativo para pagar despesas. Matilde usou o cartão corporativo para pagar despesas de R$ 2.969,01 no período de 17 de dezembro de 2007 a 1° de janeiro – quando estaria em férias. Na véspera de Natal, por exemplo, Matilde pagou R$ 1.876,90 para uma locadora de carros. No dia 17, o primeiro das férias, ela pagou R$ 104 num bar da Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo.