O marceneiro Edson da Costa Duarte, última testemunha da ação penal movida contra três policiais acusados da morte do vendedor Luiz Antônio Ferreira de Azara, relatou ontem (18) ao juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, que no dia do crime estava em sua casa no Setor São José, quando escutou a sirene de uma viatura da Polícia Militar (PM), em perseguição a uma moto. Edson disse que dentro de poucos minutos começaram a chegar à casa da vítima várias viaturas da PM e da Rotam e em questão de minutos passou a ouvir gritos, pedindo aos policiais para que não atirassem.
O marceneiro informou que teve seu lote invadido por alguns policiais por morar quase de fundos com a vítima. Segundo ele, os policiais não pediram permissão para entrar, chegaram subindo pelo muro. A testemunha disse que ainda chegou a falar com os policiais para saber o motivo da invasão, mas apenas respondeu pedindo para que as pessoas ficassem calmas. Edson disse que após a entrada da PM na casa de Luiz Antônio, ouviu quatro disparos, e dentro de poucos minutos o corpo do vendedor foi levado por policiais.
Todo o fato, desde a perseguição até o assassinato de Luiz Antônio, segundo o marceneiro, não durou mais que dez minutos. Ele disse ao juiz que a vítima tinha dificuldades para se locomover devido a um acidente de moto, e ainda chegou a ouvir comentários de que a casa do vendedor foi arrombada, de onde chegaram a sumir alguns pertences.
Caso
O crime ocorreu em 27 de janeiro do ano passado, por volta das 17 horas, dentro da residência onde a vítima morava com a mãe, na Vila São José. São acusados do crime os policiais Adailton Ribeiro dos Reis, Brunner Ramos da Silva e Wagner Pereira dos Santos. De acordo com o Ministério Público (MP), utilizando duas pistolas PT-940 e uma pistola 9 mm, todas da marca Taurus, eles desferiram quatro tiros contra Luiz Antônio, causando-lhe a morte. No dia do crime, conforme a denúncia, por volta das 16h30, na Avenida São Clemente, situada no bairro, Luiz Antônio conduzia uma motocicleta Honda/Titan CG-150, de cor vermelha, de propriedade de um amigo, quando recebeu um alerta do carro da PM para que estacionasse o veículo. Assustado, uma vez que não estava usando o equipamento de proteção adequado nem portando documentos, ele acelerou o veículo com o intuito de fugir dos policiais.
O vendedor mudou seu trajeto e dirigiu-se para sua residência. Logo depois, foi procurado por um tio, que estava em seu estabelecimento comercial e havia presenciado a perseguição policial. Diante da fuga, diversos policiais se empenharam em localizá-lo, cercando sua casa. Consta dos autos que, ao saber da intensa movimentação da PM em frente a sua casa, a mãe da vítima dirigiu-se ao local e pediu aos policiais que não fizessem nenhum mal ao seu filho, alegando que ele era uma pessoa honesta, sem antecedentes criminais e que tudo não passava de um equívoco.
No entanto, ignorando o apelo da mãe, de amigos e de vizinhos – que tentaram explicar que Luiz Antônio tinha uma deficiência física – a polícia cercou o local, agindo de maneira agressiva e, sem a menor justificativa, começou a gritar, empunhar as armas e determinar que todos se calassem e se afastassem da casa. Ato contínuo, três policiais contornaram o quarteirão e pularam o muro da casa, surpreendendo Luiz Antônio na área de serviço. Nesse instante, cada um dos denunciados efetuou um disparo em direção à vítima, atingindo-a com dois tiros. Ferido, Luiz Antônio tentou entrar na cozinha de sua casa, mas foi atingido com mais dois tiros por Wagner Pereira, na região torácica, o que lhe causou a morte imediata.