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Professores apontam erro de português em propaganda do TSE

Professores apontam erro de português em propaganda do TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou nesta semana uma campanha publicitária para estimular o alistamento eleitoral de jovens. Um dos filmes da campanha a que a reportagem assistiu contém erro de português, segundo professores ouvidos pelo G1.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou nesta semana uma campanha publicitária para estimular o alistamento eleitoral de jovens. Um dos filmes da campanha a que a reportagem assistiu contém erro de português, segundo professores ouvidos pelo G1.

A série de filmes faz parte da campanha “Heróis pela Democracia”, lançada nesta quinta-feira (28) pelo TSE em parceria com a TV Cultura. Segundo o TSE, todos os filmes contêm o mesmo texto.

“Heróis existem. Não desperdice o direito que eles tanto lutaram e conquistaram para você. Vote!”, diz parte do texto dos filmes, que têm de 30 a 60 segundos. Os filmes estão previstos para ser veiculados entre os dias 7 de março e 7 de maio em emissoras de rádio e TV. A veiculação não é obrigatória.

Segundo o professor Bruno Rabin, coordenador de redação e interpretação de texto do curso Vestibular A a Z, do Rio de Janeiro, a frase contém um “erro grave de regência”. “Quem luta luta por alguma coisa. É estranho que uma comunicação oficial do governo tenha um erro desses”, afirmou ao G1. O erro é reproduzido no site do TSE, em reportagem sobre o lançamento da campanha.

De acordo com o professor, uma opção correta seria dizer: “Não desperdice o direito pelo qual eles tanto lutaram e que conquistaram para você”.

O professor e consultor de português Ademir Araújo Filho, de Brasília, aponta outra possibilidade para a frase. “Por que” poderia ser usado em lugar do “pelo qual” (“Não desperdice o direito por que eles tanto lutaram e que conquistaram para você.”). “O por que separado e sem acento, do ponto de vista clássico, é lindíssimo e muito bem formulado”, afirmou.

Araújo Filho disse que está errada a forma com que a frase é falada e aparece nas legendas da peça publicitária. “Não há a menor possibilidade de [a frase] estar certa”, declarou.

O consultor do jornalismo da Globo e colunista do G1, Sérgio Nogueira, concorda com seus colegas. “Lutaram pelo direito e conquistaram o direito. Logo, ‘pelo qual lutaram e que conquistaram’. Isso acontece porque temos dois verbos de diferentes regências, mas com o mesmo complemento. O melhor seria refazer a frase”, disse ao G1.

A assessoria de imprensa do TSE informou que a campanha passou por várias revisões, inclusive gramaticais, nas várias etapas de produção. Segundo o TSE, o conteúdo dos vídeos ainda pode ser modificado até o envio às emissoras.

Os filmes foram feitos sem custo para o TSE pela agência W/Brasil, de Washington Olivetto, um dos mais premiados publicitários brasileiros. Essa é a primeira vez que Olivetto faz uma campanha institucional para um órgão público.

Segundo o TSE, ele teria aberto mão de pagamento por entender “a importância das eleições neste momento de nossa história e pela admiração que nutre pela TV Cultura e pela sua dimensão pública”.

Para a W/Brasil, porém, o texto da campanha não apresenta erro. “A observação não procede. Se a assinatura fosse ‘Não desperdice o direito que eles tanto lutaram.’, apenas isso, ela obviamente estaria errada, e o correto seria reescrevê-la da seguinte maneira: ‘Não desperdice o direito pelo qual eles tanto lutaram’. Mas não é essa a mensagem que queremos comunicar. Não estamos dizendo que eles lutaram pelo direito, e sim que eles lutaram para conquistar o direito. Como se pode facilmente perceber, a palavra ‘direito’ não tem relação sintática com o verbo que vem logo depois (‘lutaram’), mas sim com infinitivo ‘conquistar’, do qual é objeto direto. Por isso, a construção está correta.”, informou por e-mail a agência.

O professor Rabin, no entanto, contesta a explicação da agência. “Supondo que o sentido fosse esse que eles queriam dar, a frase deveria ser assim: ‘Não desperdice o direito que eles tanto lutaram para conquistar para você'”, afirmou.

Segundo ele, o “e” da frase original estabelece coordenação entre as orações, que são independentes. “A coordenação é a ausência de nexo sintático entre as orações. Para dar o sentido que queriam, deveriam subordinar uma frase à outra ou colocar uma locução verbal”, afirmou. “Prova disso é que o verbo ‘conquistaram’ não está no infinitivo, mas no pretérito perfeito. A emenda saiu pior que o soneto.”

A campanha

Os filmes mostram imagens de personagens históricos que contribuíram para a redemocratização do país, como o ex-deputado Ulysses Guimarães, o cartunista Henfil, o sociólogo Betinho e o poeta Vinicius de Moraes, além de cenas que retratam a época da ditadura militar.

“Não somos vítimas. Somos autores, responsáveis pelos políticos e administradores públicos que temos. Devemos fazer a melhor escolha possível para depois não nos arrependermos”, disse o presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, durante o lançamento da campanha.

“O que queremos é revelar a evolução que tivemos a partir de 1988, deixando para trás o regime de exceção e sinalizar que passa pela escolha dos representantes a solidez do próprio estado de direito. Não somos saudosistas.”

Um dos focos da campanha do TSE é estimular jovens com mais de 16 anos e menos de 18 a tirar o título e comparecer às urnas em outubro. “Apatia não conduz a nada. É fuga. O jovem, que é idealista por natureza, não pode ser apático”, afirmou Marco Aurélio.

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