Cinco espanhóis, com idades entre 25 e 35 anos, segundo a Polícia Federal, e um italiano, aparentando mais de 40 anos, foram repatriados na madrugada de domingo, por não portarem passagens de volta aos países de origem. Eles retornaram no mesmo avião, no vôo que saiu à 0h10 do Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães. Com isso, subiu para 12 o número de espanhóis obrigados a retornar para casa, a partir do terminal de Salvador, desde que o grupo de 30 brasileiros foi “devolvido” pela Espanha na última quinta-feira. No mesmo vôo, o 0083 da Air Europa, que desembarcou às 21h05 em Salvador, chegaram dois baianos repatriados que passaram a noite de sexta-feira no Aeroporto de Barajas, em Madri. Ainda na noite de sábado, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, admitiu que o Brasil seguiu o princípio da reciprocidade e que os espanhóis terão o mesmo tratamento dado aos brasileiros em terras madrilenas.
A Polícia Federal em Salvador ainda não revelou os nomes dos últimos turistas repatriados e deve realizar entrevista coletiva à imprensa ainda hoje para prestar mais informações sobre o assunto. Vindos diretamente de Madri, os espanhóis não comprovaram passagem de retorno para a capital espanhola. Dois deles vieram na primeira classe, fato considerado estranho para a chefia do posto da Polícia Federal no aeroporto. “É, no mínimo, intrigante fazer turismo sem data para voltar. Isso pode indicar permanência sem visto no país”, suspeita o agente Francisco Miguel Gonçalves, chefe do Núcleo de Polícia Aeroportuária (Nupaer), localizado no aeroporto. “Um deles jogou a mala no chão, disse que era um absurdo. Afirmou inclusive que tinha dinheiro para comprar passagem naquele momento”, emendou.
Multa – O agente informou, no entanto, que o procedimento não pode ser feito para não liberar os visitantes da área restrita. “Eles até tentaram ligar para os consulados, mas não conseguiram falar com ninguém”. À companhia aérea, continuou ele, caberá a multa de R$4.600 por cada um dos repatriados, segundo determina o Artigo 11 do Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/1980). “A empresa tem a obrigação de verificar o retorno dos passageiros para os países de origem, por isso, ela é obrigada a pagar multa ao governo brasileiro”, emendou o agente especial.
Além dos cinco repatriados, outro espanhol, cujo nome também não foi divulgado, foi deportado para Madri no mesmo vôo. Ele estava em Salvador há mais de 180 dias e já havia sido notificado pela Polícia Federal para deixar o Brasil. “Ele veio com visto de turismo para permanecer 90 dias, pediu prorrogação e a Polícia Federal deu mais 90 dias. Mas passou do prazo, quis sair de fininho, e acabou deportado”.