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MPE vê erros na obra da Estação Pinheiros do Metrô-SP

MPE vê erros na obra da Estação Pinheiros do Metrô-SP

O Ministério Público Estadual (MPE) já tem provas documentais e testemunhais de que a execução da obra da futura Estação Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, não seguiu as determinações dos projetistas.

O Ministério Público Estadual (MPE) já tem provas documentais e testemunhais de que a execução da obra da futura Estação Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, não seguiu as determinações dos projetistas. Os dados coletados até agora pelos peritos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) revelam pelo menos três desconformidades em relação ao projeto original, assinado pela Engecorps. São elas: inversão do sentido de escavação do túnel sob a Rua Capri; discrepância entre os registros dos diários de obra e o encontrado pelos técnicos durante a investigação e uma inexplicável aceleração do ritmo de construção. Em 12 de janeiro de 2007, o desabamento de parte do canteiro de obras deixou sete mortos e 230 desabrigados.

A construção da Linha 4 é de responsabilidade do Consórcio Via Amarela, integrado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Andrade7 Gutierrez, Camargo Corrêa e Alstom, sob a supervisão da Companhia do Metropolitano. “Na atual fase de investigação, é possível dizer que a execução da obra não corresponde com o que foi projetado”, afirma o promotor Arnaldo Hossepian Júnior, um dos encarregados pelo inquérito criminal que apura a tragédia.

Na manhã de ontem, um projetista e um assistente técnico de obra do consórcio confirmaram em depoimento na 3ª Delegacia Seccional (Oeste) alguns dos dados extraídos pelos peritos do IPT e do Instituto de Criminalística (IC) nas últimas semanas, como a mudança do sentido de escavação do túnel. Pelo projeto, os trabalhos deveriam começar no poço da estação e seguir em direção à Rua Capri. “Até agora, ninguém conseguiu nos explicar por que fizeram o contrário.”

Outra divergência constatada pelos investigadores está na quantidade de cambotas (malhas de aço entrelaçadas de 2 milímetros de espessura, colocadas a cada 80 centímetros de escavação) declarada no diário de obras e as encontradas debaixo dos escombros. O documento assinado por um funcionário da Via Amarela e ratificado por um técnico do Metrô diz que, antes do acidente, havia duas cambotas na parede do túnel vizinha ao prédio da Editora Abril e cinco ao lado do Edifício Passarelli. No decorrer da investigação, porém, os peritos só localizaram duas de cada lado.

A análise dos documentos fornecidos pelo consórcio, incluindo o diário de obra, também permite ao MPE afirmar que as empreiteiras aumentaram o ritmo de trabalho nos dias que antecederam a tragédia. O volume de terra retirado do canteiro de obras nos dez primeiros dias de janeiro de 2007 foi igual ao registrado em todo o mês de dezembro de 2006. Um dos pontos que permanecem obscuros na investigação diz respeito às explosões de rochas feitas no dia do acidente.

O processo sobre o desmoronamento já tem seis volumes. Mais de 60 técnicos, trabalhadores e representantes do Consórcio e do Metrô já prestaram depoimento. Empreiteiros preparam dois laudos paralelos aos do IPT e do IC.

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