O Ministério Público do Trabalho (MPT), representado pelo procurador do Trabalho Glaucio Araújo de Oliveira, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Federal, resgatou 32 trabalhadores em condições degradantes, realizando derrubada de mata em uma fazenda na localidade de Quatro Bocas, localizada a mais de 200 quilômetros de Marabá (PR).
Durante a fiscalização foram constatadas condições precárias de higiene. Além disso, os trabalhadores não tinham acesso a água potável, não tinham banheiro, estavam alojados em barracos e, por fim, eram mantidos em regime de servidão por dívida. A própria fazenda não tinha sede, sendo instalada em sete barracões.
Também foi averiguado que os trabalhadores não tinham a carteira de trabalho devidamente registrada, não tinham direito a férias, 13º salário e descanso semanal remunerado.
Os trabalhadores recebiam R$ 500,00 por alqueire cortado, contudo, o gato retia o pagamento dos trabalhadores atuando como depositário. Segundo denúncia dos trabalhadores, o gato prometia fazer o pagamento após o término do serviço.
A operação ainda constatou que quase todos os trabalhadores da fazenda eram usuários de maconha, inclusive um menor, que diz ter sido incentivado a consumir a droga para produzir mais no trabalho. Durante a libertação dos trabalhadores, a Polícia Federal apreendeu 500 gramas de maconha. Um trabalhador acusado de assassinato e ocultação de cadáver foi preso. Duas armas também foram apreendidas. Após a fiscalização, o gato providenciou o transporte dos trabalhadores.
Os proprietários da fazenda não foram encontrados pela fiscalização do MPT para o pagamento das verbas rescisórias que, até o momento, somam mais de R$ 200 mil. Para evitar a lesão aos trabalhadores, o Ministério Público do Trabalho ajuizou Ação Civil Pública, com pedido de liminar, em face dos donos da fazenda solicitando o bloqueio dos bens, bem como o pagamento de indenização a título de danos morais coletivos no valor de R$ 500 mil.