Pela segunda vez em apenas um ano e meio, o grupo móvel do Ministério do Trabalho resgatou trabalhadores em condições degradantes da Destilaria Centro Oeste Iguatemi, em Mato Grosso do Sul.
Desta vez, foram libertados 126 trabalhadores da fazenda Cachoeirinha, no município de Iguatemi. No ano passado, 409 trabalhadores já haviam sido tirados do local –em sua maioria indígenas.
Os trabalhadores –recrutados em Alagoas, no Piauí e no Maranhão– não tinham as mínimas condições de higiene no alojamento, de acordo com o auditor-fiscal Luiz Carlos Cruz. Em razão de pendências na usina, foram lavrados 48 autos de infração.
“A situação era precária e não muito diferente da encontrada no ano passado, com falta de camas e colchões rasgados. A alimentação era feita no dormitório”, diz Cruz. No campo, afirma, não havia instalações sanitárias nem equipamentos adequados.
“O que mais chamou a atenção é que em alguns dias não havia corte de cana durante parte do dia, mas os trabalhadores eram impedidos de voltar ao alojamento. Ficavam debaixo do sol e, como ganhavam por produção, às vezes recebiam menos do que o descontado pela alimentação. Então é certo dizer que em certos dias eles foram escravos.”
Outro lado
Para Wilson Marques, chefe do departamento jurídico da Iguatemi, a acusação é “absurda”. “Existe um piso na categoria, de cerca de R$ 430. Então ele vai receber isso no final do mês de qualquer forma, o que dá quase R$ 14 por dia. A refeição custa apenas R$ 1,58.”
Ele diz que ingressou com uma ação na Justiça pedindo uma perícia para constatar que as condições de trabalho no local não são degradantes. “A fiscalização foi abusiva. A empresa é idônea.”