O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas entrou com pedido de anulação do resultado da assembléia que escolheu a junta provisória que responderia pela direção do Sindicato dos Rodoviários (Sinttro-AL). O procurador do Trabalho Luciano Carlesso tomou a decisão porque considera a junta ilegítima e sem poderes de representação, por ter havido fraude no processo da eleição. O procurador também requereu a suspensão das negociações do acordo coletivo com a classe empresarial.
Para Carlesso, o fato de ele, na condição de representante do MPT, e mais de cem trabalhadores terem sido impedidos de participar da assembléia, na sede do Sinttro, já pode ser considerado prova de que o processo eleitoral foi viciado desde o início . “Nossa participação no processo eleitoral do Sinttro é decorrente de decisão judicial – cuja sentença foi proferida dia 13 de junho – e por isso fomos acompanhar a assembléia de ontem. Mas, infelizmente, fomos impedidos de participar”.
O procurador disse ainda que a diretoria cassada violou direitos constitucionais quando impediu trabalhadores de exercerem seus direitos políticos: “As coisas como estão não vão bem. Temos denúncias graves de que havia pessoas que não eram da categoria e estavam participando da assembléia, mas tenho plena confiança na Justiça de que tudo isso vai se resolver”.
O procurador se reuniu com representantes das chapas de oposição “Coragem de mudar” e “Resistência e Luta” e esclareceu que qualquer procedimento da junta provisória está passível de ser anulado. Ele pediu paciência e reafirmou que, nesse momento de transição, é preciso ter calma. “O que queremos é uma eleição justa. Vamos aguardar o encaminhamento que a Justiça vai dar sobre os acontecimentos lamentáveis ocorridos ontem”, assegurou Carlesso.
Carlesso esclareceu que a partir de agora o ex-presidente do Sinttro Divanildo Ramos e os demais integrantes da ex-diretoria, considerados inelegíveis pela Justiça, não podem mais ditar as regras no sindicato. “Eles não podem mais participar de assembléia com a categoria nem de rodada de negociação com empresários na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, com vinha acontecendo”, concluiu o procurador.