A investigação da Polícia Federal revela o elo entre as fraudes nas licitações milionárias do Senado e o gabinete do senador Efraim Morais (DEM-PB) (foto). O serviço de inteligência da PF flagrou Eduardo Bonifácio Ferreira abrindo, com a própria chave, o gabinete do parlamentar. Oficialmente, ele nunca trabalhou para o senador na Casa.
De acordo com a investigação, ele se encontrou com os empresários durante o andamento das concorrências. O código das reuniões era “tomar vinho”. Primeiro-secretário do Senado, Efraim é o responsável pelos contratos da Casa. Ele prorrogou sem licitação até 2009 todos esses serviços suspeitos, que somam R$ 35 milhões. Para os investigadores, Ferreira teria atuado em nome do parlamentar, mas o senador nega. Os relatórios da PF, porém, começam a desvendar esse mistério. A polícia decidiu seguir os passos de Ferreira em 29 de junho daquele ano, logo após a vitória das empresas para assumir os contratos do Senado. De acordo com relatório do Departamento de Inteligência Policial (DIP) nº 055/06, obtido pelo Correio, Ferreira saiu de casa, na 112 Norte, chegou ao Senado às 11h20, tirou do bolso a chave e abriu uma porta do gabinete 21 da Ala Alexandre Costa, naquela época ocupado por Efraim.
Encontros monitorados
O homem que, segundo a Polícia Federal, abriu com a própria chave o gabinete do senador Efraim Morais (DEM-PB) se encontrou ao menos oito vezes com os empresários interessados nas milionárias licitações do Senado. As reuniões ocorreram, segundo a Polícia Federal, durante o andamento das concorrências. É o que revela o relatório do serviço de inteligência da PF sobre a investigação em cima das negociações feitas entre Eduardo Bonifácio Ferreira e os representantes das empresas Conservo, Ipanema e Brasília Informática. As conversas aconteceram entre setembro de 2005 e maio de 2006, período em que as empresas entraram em ação, de acordo com a investigação, para ganhar as licitações destinadas ao fornecimento de mão-de-obra terceirizada. Em acerto feito por fora, a Brasília Informática seria recompensada pelas outras duas, que ganharam as concorrências. A PF monitorou com imagens três desses encontros. No primeiro, em 30 de setembro de 2005, Ferreira se reuniu num restaurante do Parque da Cidade com Paulo Duarte, gerente da Conservo, e Victor João Cúgola, dono da empresa. A polícia flagrou outro encontro deles no mesmo local em 23 de março do ano seguinte, quando Duarte já estava na Ipanema. Quatro dias depois, o Senado fechou com essa empresa um contrato de R$ 2,4 milhões mensais.
Fragmentos que comprometem
Embora o primeiro-secretário do Senado, Efraim Morais (DEM-PB), tenha dito que não surgiria “fragmento de informação” no contexto da Operação Mão-de-Obra que pudesse envergonhar a Casa, o inquérito da ação policial está recheado de referências consideradas suspeitas pela Polícia Federal, além da atuação do ex-servidor Eduardo Bonifácio Ferreira, flagrado pela PF entrando no gabinete do senador. Parte dos indícios foi coletada em escutas telefônicas realizadas pelo Diretoria de Inteligência Policial (DIP). Em 26 de abril de 2006, em meio a licitações realizadas para a terceirização de mão-de-obra, a PF captou uma conversa entre José Araújo, dono da Ipanema, e seu então gerente comercial, Paulo Duarte, cujo conteúdo foi considerado relevante para o inquérito que resultou em denúncias na Justiça.