O Ministério Público Eleitoral de São Paulo encaminhou ontem à Polícia Federal pedido de instauração de inquérito e vai abrir um processo por corrupção eleitoral, na segunda-feira, para apurar o uso do Instituto Bolsa Universidade pelo candidato a vereador Ricardo Holz (PMDB). A instituição foi usada para compra de votos, como revelou o Estado.
Após prometer bolsas de estudos em universidades particulares para pessoas sem condições financeiras, funcionários da instituição, da qual Holz foi o criador e é presidente licenciado, prometem “atenção especial” para quem trouxer até 30 votos para o candidato.
A lei caracteriza como compra de voto o oferecimento ou a promessa ao eleitor de vantagem pessoal de qualquer natureza, em busca de seu apoio. O promotor Eduardo Rheingantz explicou que, além de responder eleitoralmente, podendo ter seu registro impugnado, a corrupção eleitoral também tem efeito criminal.
Ontem, Holz alegou que a tentativa pode ter sido cometida por um “funcionário mal orientado”. “Não concordo que façam isso e, quando descobrir quem fez, será punido”, garantiu. Ele disse que a ONG, criada há 12 anos, não pode ser prejudicada por um funcionário.
A reportagem constatou, porém, que outras pessoas foram interpeladas da mesma forma.
O candidato garantiu que o cadastramento de estudantes pelo instituto ficará suspenso para evitar novos problemas.