O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinará nesta segunda-feira que a Polícia Federal investigue o grampo ilegal de conversa entre o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), informa nesta segunda-feira reportagem de Kennedy Alencar, Alan Gripp e Fernanda Odilla, publicada pela Folha (a íntegra da reportagem está disponível para assinantes do UOL e do jornal).
A decisão será comunicada por Lula a Mendes, em reunião de emergência marcada para as 9h de hoje no Planalto. Segundo a Folha apurou, Lula está disposto a discutir uma forma de o Supremo acompanhar a investigação.
O inquérito irá apurar o suposto envolvimento de agentes secretos da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e de investigadores da própria PF nas escutas, como acusa reportagem publicada na revista “Veja” desta semana.
Lula pretende, assim, responder à cobrança pública feita pelo presidente do STF, que disse que chamaria o presidente da República “às falas”.
Além de Mendes, irão ao Planalto o vice-presidente do STF, Cezar Peluso, e o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto, também ministro do Supremo. Lula também convocou para a reunião os ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa).
Será dito durante a reunião que só uma investigação rigorosa, que aponte autores e mandantes do suposto grampo, será capaz de evitar uma crise institucional.
A PF deverá pedir à revista “Veja” a gravação da conversa entre Mendes e Demóstenes para averiguar se foi feita por aparelho da polícia.