Reportagem publicada na edição desta semana na revista «IstoÉ» identifica no agente Francisco Ambrósio do Nascimento, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o espião que teria coordenado, na Polícia Federal (PF), uma equipe que fez a escuta de 18 senadores, 26 deputados, de ministros do Judiciário, da ministra Dilma Rousseff e do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Conforme a reportagem, Nascimento, ex-agente do extinto Serviço Nacional de Inteligência (SNI), foi uma espécie de braço direito do delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, «funcionando com elo entre Protógenes e agentes da Abin» cedidos à operação.
A reportagem sustenta que foram gravadas milhares de horas de diálogos telefônicos e centenas de filmagens «que compõem as entranhas da Satiagraha». Muitas das escutas extrapolaram as autorizações legais da Justiça, entre elas a que gravou a conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), segundo a revista.
O presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), pediu ontem que o Governo reveja a decisão de entregar à própria Polícia Federal a investigação do grampo. Segundo Garibaldi, as novas denúncias, apresentadas pela revista «IstoÉ», «precisam ser apuradas urgentemente».