O surgimento de um novo personagem na intrincada crise dos grampos, que teve como alvo os telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e do senador Demostenes Torres (DEM-GO), pode afetar as investigações que originaram a Operação Satiagraha, desencadeada em julho pela Polícia Federal.
Dentro da PF há um grande temor de que, se ficar comprovada a participação do ex-agente da extinta Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) Francisco Ambrósio do Nascimento na investigação, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, controlador do Opportunity, o inquérito pode ser até anulado pela Justiça. O depoimento de Ambrósio estava sendo aguardado com ansiedade pelos investigadores, que vêem nele uma nova linha de apuração do caso dos grampos, que causou uma crise entre os poderes e auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Até o final da tarde, a PF não tinha nenhuma confirmação sobre o interrogatório do ex-funcionário da SAE. Segundo a revista IstoÉ, Ambrósio teria participado da Operação Satiagraha na condição de colaborador. Ele seria o coordenador de um grupo de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que atuou nas investigações feitas pelo delegado Protógenes Queiroz.