MACEIÓ – O juiz da Vara de Execuções Penais de Alagoas, Marcelo Tadeu, defendeu que o ex-cabo da Polícia Militar Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá Cristina Pimentel da Silva, 15 anos, não retorne ao Estado para não ser assassinado. O magistrado disse que só uma ação da Polícia Federal pode garantir a vida do fugitivo.- Se ele realmente voltar a Alagoas e decidir abrir o jogo de todos os crimes que ele cometeu e os mandantes de cada um deles e ficar por aqui, aguardando julgamento, antes de chegar ao final do processo ele pode ter a vida dele ceifada. Eu diria que as chances de ele morrer são de 70% – afirmou.
Marcelo Tadeu é um dos juízes mais polêmicos e respeitados de Alagoas. Na direção dos presídios alagoanos, acabou com o regime semi-aberto porque não ofereciam condições para os presos e fechou duas alas do Manicômio Judiciário, depois que o Ministério Público Federal, em relatório, apontou que os presos com doenças mentais são tratados "piores que os cachorros que fazem a guarda dos presídios".
Everaldo é acusado de integrar a gangue fardada, organização criminosa responsável por assassinatos, assaltos a bancos, extorsão, seqüestros e crimes de pistolagem. O chefe da gangue, o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, foi preso e transferido para fora de Alagoas, temendo morrer. Em 28 de outubro de 2005, um dos integrantes do bando, José Fernandes da Costa, o Fernando Fidélis, foi morto dentro do presídio.
– Infelizmente, temos que reconhecer que ele (Everaldo) está certo ao reconhecer que tem medo de morrer, caso se entregue para vir a Alagoas. Qualquer ‘babaca’ sabe que o sistema penitenciário não dá segurança, infelizmente – afirmou o juiz.
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