Em reunião gravada na Polícia Federal no dia 14 de julho, seis dias depois do estouro da Operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz – mentor da ação que levou o banqueiro Daniel Dantas para o banco dos réus – disse a um grupo de superiores que haviam decretado seu afastamento do caso: "Nós sabíamos que tinha um HC (habeas corpus) já preparado, já um outro HC, que estava sendo gestado no gabinete no Supremo Tribunal Federal, né? E em escritórios de advocacia. Isso em trabalho de inteligência que nós…"
A declaração, atribuída a Protógenes em reportagens da revista Veja e do jornal O Globo, amplia as suspeitas de que o ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, foi monitorado no decorrer da Satiagraha.
A marcação cerrada sobre os movimentos do ministro teria ocorrido em dois momentos distintos, pelo menos – uma conversa sua ao telefone com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e um jantar em um restaurante japonês, em Brasília, do qual dois assessores de seu gabinete participaram.
Tanto o diálogo com o senador quanto o jantar dos auxiliares de Mendes não o comprometem em nada, mas revelam que ele estava na mira de espiões, provavelmente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
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