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Empresa ligada à Petrobras vira alvo da CPI

Empresa ligada à Petrobras vira alvo da CPI

Na CPI, oposicionistas e governistas miram na Transpetro, responsável pelo transporte de combustíveis. Mas o que eles querem mesmo é acertar o presidente da subsidiária, apadrinhado de Renan Calheiros

Os senadores elegeram a Transpetro como um dos principais focos da investigação da CPI da Petrobras. O ponto de partida das apurações será as auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontam irregularidades na subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte — por tubos, em terra, ou por navios, no mar — de óleos e derivados. Inspeções do TCU já identificaram casos de pagamentos indevidos no processo bilionário de compra de navios até gastos com artigos de luxo. Ao focar na Transpetro, senadores oposicionistas, e até governistas, têm o objetivo de minar o poder do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, amigo e padrinho político do presidente da subsidiária, Sérgio Machado. A CPI começa na próxima terça.
Com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Renan Calheiros comandou toda a negociação para a escolha da tropa de choque governista na CPI. Depois de um período sabático, o movimento o expôs politicamente e causou atritos dos lados oposicionista e governista. A oposição vê a comissão como uma possibilidade de ir à forra. Não engoliram até hoje o fato de Renan ter escapado da cassação quando presidia o Senado em 2007. Senadores do PT, por sua vez, estão em atrito com Renan depois de terem sido alijados das principais negociações da CPI. Os petistas tentaram sem sucesso entregar a presidência da comissão para o DEM de forma a não dar mais poder ao PMDB.
Reservadamente, todos enxergam Machado como o calcanhar de aquiles do atual líder peemedebista. O presidente da Transpetro chegou ao cargo, há seis anos, por indicação de Renan. Ex-líder tucano no Senado, perdeu a disputa ao governo cearense em 2002, já filiado ao PMDB. Antes de assumir o comando da Transpetro, no Rio, alugou um flat que Renan Calheiros tinha em Brasília. Mas manteve, segundo senadores, a proximidade com o líder do PMDB. Nos últimos anos, colegas de Renan relataram terem presenciado vários encontros entre o senador e o presidente da Transpetro em conversas sobre projetos da subsidiária. Segundo uma das testemunhas, num encontro recente ocorrido tarde da noite no gabinete de Renan, no 15º andar do Senado, o peemedebista emitio opiniões sobre empreendimentos da empresa.
Procurado, o líder do PMDB não retornou aos recados deixados no celular e com os assessores. Em resposta enviada pela assessoria de imprensa por e-mail, o presidente da Transpetro não respondeu sobre o motivo dos eventuais encontros dele com Renan. Disse apenas que “suas viagens à capital federal atendem a uma agenda administrativa, comum a qualquer executivo de uma empresa estatal”. “Machado mantém contatos com senadores de diversos partidos, não apenas pelo cargo que ocupa atualmente, como também por ter sido ele mesmo senador da República pelo estado do Ceará durante oito anos”, aponta a nota da assessoria do presidente da Transpetro.

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