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Juiz manda Igreja Universal devolver carro doado na forma de dízimo

Juiz manda Igreja Universal devolver carro doado na forma de dízimo

Justiça ordena que Igreja Universal devolva Fiat Uno que uma brasiliense deu em forma de dízimo. Veículo era o único bem que ela possuía.

Por determinação da Justiça, a Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) terá de devolver um carro doado por uma fiel, em 2007. À época, um pastor de Samambaia Norte, na QN 206, prometeu que Deus traria melhorias na saúde da mulher em troca de um Fiat Uno. Seis meses se passaram e nada mudou para a dona de casa de 28 anos, que preferiu ser identificada pelas iniciais do nome dela: L.I.A. Ela entrou com um processo pedindo a devolução. Mais de dois anos depois, na quarta-feira última, o juiz do 3º Juizado Especial de Competência Geral de Samambaia determinou que a igreja devolva o automóvel. Como o veículo era o único bem em nome de L.I.A., a decisão foi baseada no artigo nº 1.175 do Código Civil, segundo o qual é nula a doação total dos bens, sem reserva de parte suficiente para a subsistência do doador.
 Quando recorreu à ajuda divina, L.I.A buscava a cura para uma depressão. A doença surgiu depois que o marido dela tentou matá-la. “Frequentava a Universal havia três anos. Nunca tinha dado nada. Quando o pastor me falou que Deus ia trazer em dobro o que eu desse não pensei duas vezes. Eu estava muito doente, desesperada e sem sustento”, lembra. A evangélica levou o veículo até a Catedral da Iurd, na 212/213 Sul. Lá ocorre a cerimônia chamada Fogueira Santa, na qual os adeptos da religião entregam doações. “De lá fui até o cartório com um funcionário da igreja e transferi o carro para o nome da Universal”, relatou L.I.A.
 A religiosa usava o Fiat Uno para vender roupas. O carro também era importante para facilitar o tratamento do filho de L.I.A., de 6 anos, que é portador de necessidades especiais e vai ao hospital toda semana. Antes de procurar a [b]defensoria pública de Samambaia[/b], L.I.A. garante que tentou reaver o carro em conversas com o pastor, do qual ela afirma não lembrar o nome. “Ele me aconselhou a resolver esse problema direto com Deus, pois era para ele que eu tinha dado o Uno”, queixou-se.
 Depois de iniciada a ação, a igreja entrou com recurso e alegou que a fiel possuía outro bem à época da doação, mas não havia prova. “Vamos analisar a sentença e entrar com um novo recurso no Supremo Tribunal Federal (STF)”, informou o advogado da Iurd, Rodrigo Pereira. Ele preferiu não comentar outros casos da mesma natureza em andamento na Justiça de São Paulo e de Goiânia. O Conselho de Pastores do DF afirma que nenhuma igreja obriga os frequentadores a fazerem doações. “Um líder espiritual geralmente usa do bom senso. Se a pessoa não estiver bem emocionalmente, o pastor consulta os familiares para evitar problemas”, disse o presidente da entidade, o pastor Josimar da Silva. Atualmente, L.I.A mora em um loteamento irregular da área rural de Ceilândia com o filho. “Não tenho nem como pagar aluguel. Nem vou à igreja. Só rezo em casa”, concluiu ela.

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