seu conteúdo no nosso portal

Nossas redes sociais

Atalho para retorno à delinqüência

Sessenta e três dias depois de passar para o regime semi-aberto, Cláudio Adriano Ribeiro, o 'Papagaio' - maior assaltante de bancos e carros-fortes do sul d

Sessenta e três dias depois de passar para o regime semi-aberto, Cláudio Adriano Ribeiro, o “Papagaio” – maior assaltante de bancos e carros-fortes do sul do país – fugiu do albergue anexo à Penitenciária Estadual do Jacuí (RS).

Era público e notório que a fuga aconteceria.

Papagaio foi transferido para o semi-aberto por ter cumprido um sexto da pena.

Se considerado o tempo a que está condenado – que é de 36 anos e 11 meses – ele só teria direito a saídas temporárias em maio de 2007.

Condenado por roubo e latrocínio, Papagaio matou um vigilante bancário num assalto a banco em Blumenau (SC), em 1997.

Baleado e preso nesse ataque, foi resgatado por comparsas vestidos de enfermeiros de dentro de um hospital em Florianópolis (SC).

Preso em Tocantins, no mesmo ano, tornou a empreender nova fuga, tendo sido recapturado em janeiro de 2000, na praia de Ibiraquera (SC).

Em 21 de junho deste ano, Papagaio foi beneficiado com a transferência para o regime semi-aberto. Saiu da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS), e foi para o albergue da PEJ (RS).

Agora, se recapturado, voltará ao regime fechado.

Penso que esse tipo de delinqüente não pode ser beneficiado com a progressão simplesmente a partir dos requisitos legais, visto que não reúne condições para viver em um regime de autodisciplina.

É preciso maior cautela para a progressão de regime, já que estatísticas demonstram que meliantes de alta periculosidade tornam a delinqüir.

A recaptura de Papagaio será um árduo trabalho para a policia, de soberbo custo para o Estado.

Do que ele vai viver? É claro que vai voltar a assaltar!

Quem vai se responsabilizar pelas vidas que ele ceifar?

A ameaça de que as duas maiores quadrilhas de ladrões de carros-fortes do sul do país unam esforços é um pesadelo recorrente entre policiais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os quadrilheiros se especializaram em atacar blindados e aterrorizaram as rodovias do sul do país nos últimos 10 anos.

Abusam da violência, jogando caminhões contra os carros-fortes e depois dinamitam as paredes dos blindados utilizados para o transporte de valores.

É imprescindível uma mudança na Lei nº 7.210/84 (Lei de Execução Penal), visto que há urgente necessidade de evitar a progressão de regime de criminosos desse jaez – especialmente um maior rigor na concessão do semi-aberto e na vigilância aos apenados que estão nesse regime de prisão – além de cuidados específicos em relação a bandidos de transcendente periculosidade.

Entendo que, nesse caso, a progressão só deveria ocorrer com o mínimo de 50% do tempo cumprido.

Mesmo o quadro de superlotação de presídios que está na origem da reação do PCC em São Paulo não invalida a necessidade de reavaliar a progressão.

Não cabe ao Judiciário descumprir a lei; mas a legislação tem que ser revista, colocando-a em favor da sociedade ordeira.

O semi-aberto foi a maneira como a bandidagem encontrou para abreviar a pena.

Aliás, em maio último – logo depois da primeira onda de violência na capital paulista – os secretários de segurança pública de todo o Brasil sugeriram ao Congresso que a progressão fosse revista no pacote antiviolência.

Às vésperas das eleições, ainda nenhuma decisão foi tomada.

Compartihe

OUTRAS NOTÍCIAS

Espólio receberá valores da reserva especial de plano de previdência complementar
Mulher que teve apartamento roubado por falsos policiais deve ser indenizada
Ex-esposa que recebia pensão de alimentos tem direito a 50% da pensão por morte do instituidor