O plebiscito deste domingo no Equador impulsionado pelo presidente socialista Rafael Correa propõe a instauração de uma Assembléia Constituinte, que será encarregada da redação de uma nova Carta Política, a vigésima na história do país mais instável da região e que conheceu oito presidentes em uma década.
O “sim” precisa de ao menos 3 milhões de votos para que a Constituinte seja instalada no final do ano, considerando-se que 9,2 milhões de equatorianos foram convocados a votar e o não-comparecimento médio em votações no país é estimado em carca de 30%
Se confirmada a última pesquisa do instituto Cedatos-Gallup, 66% dos eleitores vão votar no Sim –a Constituinte trabalhará durante 180 dias (com a possibilidade de uma prorrogação de outros 60) e deve estar integrada por 130 membros.
Os deputados constituintes deverão transformar a Carta Magna que está em vigor desde junho de 1998.
Dominado historicamente pela direita, o país que teve oito presidentes só na última década asistiu a uma disputa de poderes que afastou todos os detratores do governo de Correa que tentavam obstruir seu plano de organizar uma Constituinte para redigir uma nova Constituição.
O presidente, que não apresentou candidatos para as eleições legislativas de outubro, governa sem travas desde o dia 7 de março graças à resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de cassar 57 parlamentares, substituídos por seus suplentes.
Estarão em funcionamento 36.873 mesas receptoras do voto, das 7h às 17h ( 9h às 19h de Brasília)
O TSE, que gastou US$ 16,1 milhões na consulta, autorizou pesquisas de boca-de-urna para que se conheça imediatamente os resultados extra-oficiais, mas a proclamação dos resultados será feita oito dias depois.
A oposição equatoriana, que perdeu o controle do Congresso com a destituição de 57 deputados, chega quase derrotada ao plebiscito deste domingo.
Opositores de Correa usaram suas últimas fichas fazendo campanha pelo “não” e pelo voto em branco ou nulo para tentar invalidar a consulta popular, atrapalhando assim o caminho do presidente.
Correa considera a possibilidade de renunciar se sair derrotado do plebiscito, ainda que os analistas acreditem que por trás dessa ameaça se esconde uma estratégia para alavancar sua popularidade através da consulta popular.
“Teria que pensar nisso, pois seria uma recusa (a seu plano de Constituinte)”, disse, enfatizando que “temos que pensar muito seriamente, eu não me apego ao cargo”, afirmou.