A diocese de Jackson, Mississippi (sul dos Estados Unidos), chegou a um acordo com 19 pessoas que alegaram ter sofrido abusos sexuais por parte de sacerdotes. A instituição deve pagar US$ 5,1 milhões às vítimas, segundo documentos publicados na página eletrônica da instituição.
Os abusos ocorreram entre a década de 1960 e o começo dos anos 1980. Um dos casos é o dos irmãos Kenneth, Thomas e Francis Morrison, vítimas de um mesmo sacerdote amigo da família há mais de 30 anos, e que exigiram da diocese 48 milhões de dólares. “Espero que este acordo traga paz àqueles que sofreram com os atos de alguns poucos. Em nome de toda a Igreja, peço perdão do fundo do meu coração a todos vocês pela dor, raiva e vergonha provocadas por estes atos”, disse num comunicado o bispo de Jackson, Joseph Latino.
Dos US$ 5,1 milhões, a diocese terá de pagar pouco mais de US$ 700 mil. O resto será coberto pelas seguradoras, disse Latino. As vítimas “enfrentaram seus mais profundos temores e dores emocionais para buscar justiça pelos horrendos abusos que sofreram nas mãos da Igreja Católica”, disse John Hawkins, advogado dos requerentes.
A diocese aceitou retirar de posições influentes pessoas que possam estar vinculadas a estes abusos, promover o relato dos casos e assegurar investigações imediatas sobre qualquer denúncia. O escândalo de sacerdotes pedófilos nos Estados Unidos veio à tona em 2002 com numerosas denúncias, particularmente na Arquidiocese de Boston (Massachusetts, nordeste), que provocaram a renúncia do cardeal Bernard Law, acusado de encobrir sistematicamente o escândalo. Depois, Law foi nomeado pelo Papa para a Cúria Romana e como arcebispo da Basílica romana de Santa Maria Maior.