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Itamaraty vai ponderar muito antes de punir Saboia, um diplomata exemplar.

Por dever profissional e solidariedade humana, Saboia assistiu e resolveu o problema dos torcedores presos em Oruro, Bolívia.

O diplomata Eduardo Saboia, ministro conselheiro e encarregado de negócios da embaixada do Brasil em La Paz, segundo experientes embaixadores, tomou uma decisão considerada “grave”, do ponto da hierarquia, ao dar fuga ao senador asilado Roger Pinto Molina sem a expressa autorização no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Mas também consideram que ele agiu pressionado pela situação do próprio político boliviano, cuja saúde mental se degradava ao ponto de ameaçar suicídio por diversas vezes.
Para salvar uma vida, a do senador asilado, Saboia pôr em risco a própria vida e sua carreira, e isso deve ser levado em conta no momento em que seu comportamento for avaliado pelos superiores. Ao desembarcar em Brasília, ele afirmou que fora motivado pelo dever profissional e cristão de ajudar um perseguido político, e lembrou que a presidenta Dilma sabe o que isso significa, porque foi perseguida na época do regime militar. De fato, diplomatas, na época em que Dilma era prisioneira política no Brasil, fizeram o mesmo: quebraram a hierarquia para fazer o que era certo. A presidenta Dilma deveria olhar o episódio sob esse prisma. Ganharia apoio da opinião pública.
Saboia foi afastado de suas funções enquanto o Itamaraty apura as circunstâncias do fato e decide o que fazer com ele. Esses experientes diplomatas ouvidos pelo Diário do Poder acham que a cúpula do Ministério deverá ponderar muito antes de tomar qualquer decisão. Afinal, uma eventual punição do diplomata, motivada por questões humanitárias, poderá provocar grande inquietação e até revolta entre seus colegas. Saboia é um dos profissionais da diplomacia brasileira mais admirados por sua qualificação, pelo equilíbrio e pela coragem. É também muito admirado como ser humano: católico praticante, honesto, generoso, pai de um filho autista e de outro, adotado.
Durante uma entrevista à Folha de S. Paulo, ontem à noite, ele chegou a chorar quando afirmou que “ouviu a voz de Deus” para tirar Molina da embaixada. Disse tambén que sabia dos riscos, quando decidiu viabilizar a fuga do senador, e até ameaçou: “Se vierem para cima de mim, tenho elementos de sobra para me defender e para acusar. “Tenho os e-mails das pessoas, dizendo olha, a gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando [a saída do senador da embaixada] e a gente finge que acredita.’
O senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, promete vigilância permanente para que Eduardo Saboia não venha a ser perseguido ou punido. “A atitude dele não merece reparos, mas, sim, elogios”, afirmou a este portal. O Itamaraty também sabe que não é bom negócio destratar o senador que preside a CRE.

Por Aluízio Bezerra Filho

Juiz de Direito da 6a Vara da Fazenda Pública da Capital do Estado da Paraíba, ex-Membro da 3ª Turma Recursal do Juizado Especial da Capital, ex-Juiz Eleitoral da 64ª Zona Eleitoral da Capital, ex-Professor da Unipê, autor dos livros Tribunal do Júri Homicídios, Lei de Tóxicos Anotada e Interpretada pelos Tribunais e Crimes Sexuais, Leis de Tóxicos, Lei Antidrogas e Lei de Improbidade Administrativa, todos pela Editora Juruá. É autor ainda do livro Sentenças Definitivas, editado pela União Editora.

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