No jogo habilidoso em que entregou o comando do Congresso, mas salvou o mandato, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deixou ontem para trás a terceira denúncia, considerada uma das mais contundentes. Restam, porém, mais três representações pela frente e, principalmente, o inquérito policial número 2.593, que o Supremo Tribunal Federal (STF) instaurou em agosto, a pedido do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Seu sigilo bancário e fiscal dos últimos 7 anos já foi aberto.
O inquérito, que corre em segredo de Justiça, visa a apurar se o parlamentar tinha renda suficiente para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso – com quem teve uma filha fora do casamento – ou se recebeu ajuda de um lobista da Mendes Júnior. A mesma denúncia, no âmbito político, foi arquivada pelo Senado há três meses.
Perícias da Polícia Federal, porém, levantaram suspeitas sobre o patrimônio do peemedebista. O relator do caso no STF, Ricardo Lewandowski, enviou no final de setembro o resultado de todas as diligências a Souza, a quem caberá decidir se encaminha denúncia contra Renan.
Já no Conselho de Ética, os dois próximos casos patinam. A próxima denúncia da fila foi feita pelo advogado Bruno Lins, ex-marido de uma assessora de Renan, e diz respeito a suposta arrecadação em ministérios do PMDB. Ele acusou o ex-sogro, Luiz Garcia Coelho, de chefiar o esquema, a mando do senador.
O relator, Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de primeira hora de Renan, encaminhou seu parecer na quinta-feira, sem alarde, recomendando arquivamento sumário do caso. Em campanha pela presidência do Senado, o presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), pode optar por arquivar o processo sem consultar os outros colegas.
Até agora, Quintanilha também não nomeou um relator para o processo em que Renan é acusado de usar um funcionário do gabinete, Francisco Escórcio, para espionar os senadores Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB). Escórcio tentou filmar os adversários do chefe em um hangar de Goiânia, mas foi descoberto.
Resta, por fim, a sexta representação. Segundo revelou o Estado, no dia 14 de outubro, o parlamentar apresentou uma emenda ao Orçamento da União repassando R$ 280 mil para uma empresa fantasma, a KSI Consultoria e Construções, do seu ex-assessor José Albino Gonçalves de Freitas. O dinheiro deveria ter sido usado na construção de 28 casas em Murici, cidade do clã Calheiros.
Apesar dos vários indícios levantados, a Mesa Diretora suspendeu o envio da acusação ao Conselho de Ética. Ou seja, o caso está parado. O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), alegou que o envio da representação sobrecarregaria o colegiado e atrasaria os julgamentos. “É preciso que tenhamos um mínimo de consideração com o andamento e julgamento dos processos”, afirmou.