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À Justiça, Chicaroni não muda depoimento e defesa apresenta requerimentos

À Justiça, Chicaroni não muda depoimento e defesa apresenta requerimentos

O professor Hugo Chicaroni, apontado como suposto emissário do banqueiro Daniel Dantas na tentativa de corromper um delegado da Polícia Federal na Operação Satiagraha, não fez nenhuma modificação no depoimento prestado nesta sexta-feira ao juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo.

O professor Hugo Chicaroni, apontado como suposto emissário do banqueiro Daniel Dantas na tentativa de corromper um delegado da Polícia Federal na Operação Satiagraha, não fez nenhuma modificação no depoimento prestado nesta sexta-feira ao juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo.

Em depoimento ao juiz no dia 7 de agosto, Chicaroni atribuiu à PF a responsabilidade pela tentativa de suborno, rechaçou qualquer pedido de exclusão de Dantas da investigação, assumiu como sendo dele os R$ 50 mil pagos ao delegado e concluiu dizendo que acredita que o banqueiro ignorava a negociação.

Na ocasião, o professor disse ter ficado "desconcertado" ao escutar do delegado o pedido de US$ 1 milhão. Afirmou que entregou os R$ 50 mil, do próprio bolso, para ganhar a simpatia do Grupo Opportunity, de Dantas, e como um "empréstimo" ao delegado Protógenes Queiroz.

"Minha amizade é muito grande." Ele confirmou que os R$ 865 mil apreendidos na casa dele, no dia em que foi deflagrada a Operação Satiagraha, foram entregues em vários envelopes por ordem de Humberto Braz, braço direito de Dantas.

Hoje, o depoimento durou cerca de 20 minutos. Segundo a promotora Ana Mara Ozório Silva, caso o juiz aceite os requerimentos apresentados pela defesa de Chicaroni, os advogados terão cinco dias para a formulação do memorial (defesa).

"O juiz entendeu que não havia necessidade de nenhuma diligência, apenas vai ser requerido o prazo legal para oferecimento das alegações finais, que são os memoriais", disse Silva.

De acordo com a promotora, a defesa de Humberto Braz, também envolvido no caso, contestou a transcrição de um dos depoimentos e pediu uma perícia de espectograma de voz.

Neste momento, o juiz analisa os requerimentos da defesa e deve apresentar um parecer até o final da tarde.

Investigações

Além de Dantas, Chicaroni e Braz, a Operação Satiagraha prendeu o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, entre outras pessoas.

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda teriam descoberto que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios, inclusive, do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

A Justiça do Direito Online

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