Após julgamento no 3º Tribunal do Júri da Capital, Társio Wilson Ramirez, de 25 anos, acusado de ter assassinado três franceses que pertenciam a Organização Não-Governamental Terr’Ativa, foi condenado a 59 anos de prisão.
O julgamento durou cerca de 10 horas e contou com o depoimento da presidente da ONG. Ela declarou que uma das vítimas, Delphine Claudie Douyère, descobriu um desfalque feito por Társio na organização. Mais cedo, o suspeito havia insinuado que o desvio foi feito pela própria direção, com envolvimento de Delphine e das outras vítimas, Jérôme Marie Marc Faure e Christian Pierre Doupes.
O acusado, no entanto, nega participação no desfalque. “Eles queriam jogar esse desvio para cima de mim, então eu queria recolher provas contra eles”, alegou, referindo-se ao contador e à presidente da ONG. O acusado também afirmou ser coordenador de um projeto social da organização, chamado Brilho da Lua, em Cascadura, na zona norte. Segundo ele, o projeto havia sofrido um corte de verbas, o que o levou a descobrir o desvio de verbas, que teria sido feito a partir do dinheiro enviado por patrocinadores. “Não tem nada ali contra mim”, completou, falando sobre os documentos encontrados sobre o desfalque.
Társio também alega que um outro suspeito, Luiz Gonzaga Gonçalves, foi o responsável pelas mortes. No depoimento, ele disse que foi até a ONG no dia do crime com Luiz e o terceiro acusado, José Michel Gonçalves Cardoso, para recolher documentos que provariam sua inocência. Ele também afirmou que tirou entre R$ 2.500 e R$ 3.000 do próprio bolso para o projeto e, para ser ressarcido, roubou os R$ 300 que estavam no cofre da organização.
O suspeito garante que foi surpreendido pela atitude de Luiz Gonzaga quando este revelou que estava de posse de facas, cordas e outros materiais. “Eu também estava ameaçado”, disse. De acordo com Társio, Luiz, que seria sub-coordenador do projeto e diretor do conselho fiscal, esfaqueou Jérôme e agrediu Delphine e Christian. Também teria sido ele quem despejou álcool na sala, em uma tentativa de queimar o local e destruir as provas do crime.
Outro depoimento ouvido nesta terça-feira foi o do delegado que registrou a ocorrência na época do crime. Ele declarou que Társio tinha uma bolsa de estudos na Universidade Gama Filho paga pela ONG e deveria se formar este ano, mas parou de cursar a faculdade em 2004. Para continuar recebendo o dinheiro, ele apresentava recibos falsos da universidade. A presidente da ONG completou que Delphine estava até ajudando Társio com seu trabalho de conclusão de curso.
O caso é julgado por um júri popular, formado por cinco mulheres e dois homens, selecionados através de sorteio. O juiz Sidney Rosa da Silva desmembrou o processo e adiou o julgamento de Luiz Gonzaga e José Michel para o dia 13 de dezembro, por estes serem co-réus.