O Alto Tribunal Penal iraquiano deu início nesta segunda-feira a mais uma audiência do julgamento do ex-ditador iraquiano, Saddam Hussein, e de sete de seus ex-colaboradores.
Os oito réus– julgados pelo massacre de 148 xiitas em Dujail (norte do Iraque), após um ataque contra o comboio presidencial, em 1982– estavam presentes na sala de audiência.
Durante a audiência, o ex-chefe da inteligência durante o regime de Saddam, Barzan Ibrahim, foi expulso da corte após discutir com o juiz que preside o julgamento, o curdo Raouf Abdel Rahman, dizendo que a corte estava “aterrorizando” a defesa.
Guardas iraquianos puxaram Ibrahim pelo braço e o colocaram para fora da sala de audiência, em meio a protestos do réu e dos advogados de defesa. “Isso é ditatorial”, gritou Ibrahim.
Após o tumulto, Saddam sugeriu que os réus e os advogados de defesa deveriam se retirar, para que a promotoria pudesse chegar a um veredicto. “Se minha presença os incomoda, podem pedir que eu me retire, assim como a equipe de defesa”, disse Saddam, ironicamente.
Foi a segunda vez em duas semanas que Ibrahim foi expulso da corte pelo juiz. O julgamento se tornou mais tumultuado nas últimas sessões, enquanto a defesa intensifica os questionamentos à validade do processo e das provas apresentadas pela promotoria.
Há duas semanas, quatro testemunhas de defesa foram detidas após prestar depoimento e, segundo a defesa, foram agredidas por policiais iraquianos e soldados americanos. Abdel Rahman acusou os quatro de crime de perjúrio.
Queixas
Um advogado americano que integra a equipe de defesa de Saddam, Curtis Doebbler, acusou a corte de “discriminar” a defesa nesta segunda-feira, dizendo que seus pedidos estão sendo “ignorados” e que testemunhas estão sendo intimidadas e ouvidas com pressa, enquanto a promotoria tem mais tempo para apresentar seu caso.
“Estamos em séria desvantagem em relação à promotoria devido à maneira que estamos sendo tratados na corte”, afirmou Doebbler ao juiz Abdel Rahman. “Nós queremos trabalhar pela justiça, mas isso deve começar por um julgamento justo. Nós pedimos que o julgamernto seja suspenso para que tenhamos tempo para preparar nossa defesa”, afirmou.
Segundo o advogado, sua equipe não recebeu resposta “aos seus vários pedidos”. “Nós não pudemos nem ao menos visitar o local onde os eventos aconteceram em Dujail. Fiz esse pedido há um ano e não obtive resposta”, disse.
A defesa argumenta que algumas das supostas 148 vítimas ainda estariam vivas, colocando em dúvida o caso da promotoria e pedindo que todos os documentos sejam revistos.
Saddam e os outros sete réus podem ser condenados à pena de morte se forem considerados culpados. O julgamento –que começou em 19 de outubro de 2005– pode terminar no final de junho, segundo um funcionário americano da corte, que pediu anonimato.