O ministro da Justiça, Tarso Genro, assinou, nesta terça-feira (19), duas portarias que autorizam a extradição do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez-Abadia para os Estados Unidos. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (20) no Diário Oficial da União. O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma, já havia feito um parecer favorável pela expulsão de Abadia do país.
A medida foi tomada duas semanas depois de a Polícia Federal (PF) ter deflagrado a Operação X, em que Abadia foi acusado de formar uma quadrilha dentro do Presídio Federal de Campo Grande para a prática de extorsão mediante seqüestro.
Segundo assessoria do Ministério da Justiça, a extradição de Abadia já está autorizada. A portaria foi assinada por Tarso Genro por delegação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expulsão do traficante pode ser concretizada cinco meses depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia concedido a autorização, em sessão plenária do dia 13 de março.
Uma das portarias autoriza a entrega de Abadia ao governo dos Estados Unidos. A segunda determina a expulsão do colombiano do Brasil. Nos EUA, Abadia é acusado de tráfico de drogas, com envio de mil toneladas de cocaína para aquele país.
No Brasil
Abadia foi acusado de lavagem de dinheiro, uso de documento falso, formação de quadrilha e corrupção ativa. Depois que foi detido em São Paulo, no dia 7 de agosto de 2007, o colombiano foi transferido para o Presídio Federal de Campo Grande no dia 11 daquele mês.
Em Mato Grosso do Sul, no dia 4 de agosto de 2008, Abadia foi levado para a sede da Polícia Federal, acusado de formar quadrilha com José Reinaldo Girotti, João Paulo Barbosa e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, também detentos do estabelecimento penal.
Segundo a investigação, eles reuniram-se para promover extorsões mediante seqüestro para facilitar a fuga de companheiros de outros presídios. Após interrogatório, de volta ao presídio federal, Abadia foi enquadrado no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), o mais rígido sistema prisional, em que o preso não tem contato com outros detentos, com banho de sol isolado e restrições em horários de visitas.